sexta-feira, 17 de abril de 2009

Parte XII: O mais estranho amor da minha vida

Texto para o blog: Amores-cruzados

Eu já estava andando em círculos pelo meu quarto já fazia 1 hora. Era como se meu cérebro estivesse dividido entre o bom e o ruim. Um lado me dizia que o melhor seria me afastar de Danton definitivamente, e o outro me mandava correr atrás dele e saber tudo, de uma vez por todas. Ao menos eu poderia pedir desculpas pela minha injustiça em não ter acreditado nele. Era a razão batendo forte na consciência e o coração pulando acelerado me deixando agoniada em querer correr logo para Danton. O xérox com as identidades ainda estava em minha mão. Eu olhava para aquilo de segundo em segundo. Talvez tivesse sido melhor se tudo fosse verdade sobre Ananda e Danton, assim eu ficaria com meu posto de vítima e não precisaria mais pensar em me envolver com nada nessa história. Dei uma pausa nos meus passos e me sentei na beirada da cama perto a janela. Deixei que minha mente se esvaziasse por alguns minutos e passei a sentir só o vento balançando meus cabelos. No momento seguinte, notei que havia um beija-flor a frente da minha janela, parecia que ele me observava assim como eu fazia com ele. Fiquei impressionada com aquilo. Nunca havia visto um beija-flor tão de perto e tão imóvel como aquele ali. Era como se ele tivesse ido até minha janela pra me ver ou enviar um recado. Fiquei pelo menos um minuto imóvel olhando para ele. Assim que me movi, querendo levantar e me aproximar mais, ele voou para longe e sumiu do meu alcance. Acreditei que era algum sinal e então, lembrei novamente de Danton. Levantei-me enfim e sai do meu quarto aos tropeços. Desci as escadas como se uma cavalaria viesse atrás de mim e não me dei tempo de olhar a expressão incrédula da minha avó que estava na cozinha. Depois que sai do jardim de casa comecei a pensar onde e como eu poderia encontrar Danton. Eu não tinha nenhuma forma de contato, nada além da ponte. Era minha única solução até então, procurá-lo no lugar de sempre. Acelerei o passo e fui o mais depressa que pude. Eu não queria me permitir desistir. Já tinha chegado até ali e era o que eu devia fazer. Eu devia desculpas a Danton.
Assim que estava chegando à ponte, notei que o carro dele estava parado ao lado da calçada. Meu coração começou a pular desesperado novamente. Tentei controlá-lo, mas não consegui. Fui subindo a ponte com uma pontada no estômago. Eu não sabia o que me aguardava, só sabia o que devia fazer.
Danton estava sentado no primeiro banco próximo à outra subida da ponte. Ele estava cabisbaixo e por isso não notou minha chegada. Tinha mais umas pessoas por ali. Aproveitei que uma senhora estava andando para o mesmo lado que eu e me escondi atrás dela, fui acompanhando seus passos na direção de Danton. Tentei escolher as palavras certas que eu usaria, mas não saia nada da minha mente naquele momento. Chegando ao banco, deixei que a senhora fosse embora tomando muita distância de mim e me sentei rapidamente ao lado de Danton. Ele não parecia querer largar seus pensamentos e por isso não me notou de imediato. Sentei-me virada pra ele esperando que ele me olhasse, mas ele não o fez. No entanto, ele começou a dizer:
- Sabia que você viria. Eu poderia ter ficado aqui o dia todo a sua espera.
Eu olhei escarlate para ele como quem não queria acreditar no que ouvia. Depois de tudo, ele ainda era capaz de me surpreender mesmo com poucas palavras. Eu não esperava por tamanha compreensão. Fui pronta para me desculpar e não para ser recebida:
- Não sei o que te dizer. Queria ter as palavras certas sempre como você. Só peço que me desculpe por não ter acreditado em você. Foi por isso que vim.
E foi depois dessa minha fala que ele se virou para mim o mais depressa que pôde e me abraçou com muita força, como quem parecia se despedir de algo que nunca mais veria. Meu coração naquele momento estava ao patamar mais alto de exaltação e eu não sabia o que fazer. Talvez tenha demorado alguns segundos até corresponder aquele abraço. Envolvi meus braços em seu ombro e esperei pela próxima atitude de Danton. Queria que ele me soltasse logo para assim ele não notar meu coração saltitante, mas ele não parecia querer me largar. Senti-o encostando seu rosto no meu cabelo próximo ao meu ouvido:
- Amor, eu que te peço desculpas por todos esses mal entendidos. Você não merecia passar por tudo isso. Te encontrei no momento errado da minha vida e tomei total consciência de que não te mereço. Não por agora. Se um dia eu puder te encontrar novamente eu serei o homem mais feliz desse mundo, mas sei que nesse nosso presente eu não tenho mais direito de pertencer a sua vida. Você não precisa e nem vai mais ter que participar da minha vida conturbada. Saiba que você foi à única alegria que tive desde aquele primeiro dia que nos conhecemos e desde então eu sabia que você era a pessoa por quem eu estava procurando todo esse tempo, mas agora eu abro mão dessa alegria, pois você não merece enfrentar tudo que ainda tenho para resolver.
Desprendi-me daquele abraço e olhei nos olhos de Danton. Eu não conseguia entender o que ele dizia. Eu queria sim ter me livrado de toda aquela confusão, mas eu fui ao encontro dele, pois escutei o coração e não a razão. Por mais orgulhosa que eu estive sendo, não era isso que eu esperava ouvir. Talvez eu não tivesse pedido desculpas direito, ou então eu estava esperando de Danton algo que ele jamais tenha pensado. Mas antes que eu pudesse começar a falar, ele me pegou em seus braços novamente e prendeu meus lábios nos seus. Não consegui deixar de corresponder, mas minha vontade era de gritar ou chorar. Eu estava confusa, eu queria explicações e não ser calada por ele. Meu pensamento foi se esvaziando a medida que o beijo foi ficando intenso. Eu estava me sentindo fora do chão quando Danton me largou. Percebi que eu estava envolvida nele mais do que achei que estivesse. Seu rosto ainda permanecia a pouquíssimos centímetros do meu e ele tinha um singelo sorriso no canto direito da boca, mas seu olhar era de tristeza e foi ali que eu percebi que ele não estava brincando e nem iria mudar de idéia. Ele roçou seu nariz no meu, fechou os olhos como quem faz quando sente um perfume de uma flor, tocou meus lábios brevemente e enfim me soltou por completo levantando-se rapidamente. Olhei para ele tentando entender alguma coisa. Eu queria dizer algo, mas não sabia o que. Fiz menção de me levantar e ir com ele para onde quer que ele fosse só que ele foi mais rápido do que eu:
- Não venha Paula. Não me procure mais. Não pense mais em mim. Será melhor pra você. Perdoe-me por tudo, principalmente se te causei tristezas e problemas, mas agora tudo vai voltar ao normal pra você. Fique bem. E se um dia eu merecer e ainda souber que você me aceitaria de volta, eu te procuro. Nunca se esqueça de que eu te amo!
Senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Meu coração pulava muito e me pedia para agir, mas eu não conseguia me mover. Era como se Danton tivesse me prendido ao banco para não ir realmente atrás dele como ele havia pedido. E ele tinha feito isso mesmo, mas com palavras. À medida que ele foi se perdendo da minha visão assim como o beija-flor mais cedo, eu fui sentindo mais e mais lágrimas tomando conta do meu rosto e embaçando minha vista.

4 comentários:

Teté disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruna Bianconi disse...

eu gosto tanto dessa sua história! :)

Gêsa disse...

Muito bom seu texto.

Carol disse...

Tetééé, vc é sempre uma querida!
Seu comentários são sempre tão meigos!

E eu sempre venho aqui no seu blog e eu acbo nunca conseguindo acabar de ler este seu texto. Mas, de hoje, ele nao me escapa!

beijinhos