terça-feira, 20 de abril de 2010

Tenha a si mesmo


Aprendi a me cuidar sozinha. Aprendi a caminhar sozinha. Aprendi sonhar sozinha. Aprendi crescer sozinha. Aprendi admirar a vida sozinha.
Não me refiro a falta de companhia, falta de amigos, família, nada disso. Estou falando do coração, do amor.
Ainda acredito sim que quando estamos amando tudo parece mais belo, mais fácil, suportável e pleno. Mas a fase em que permito estar também está me presenteando com muita maturidade, felicidade, liberdade e formas sentimentais que também valem a pena experimentar.
Cheguei a um determinado momento da minha vida em que eu posso olhar para trás e perceber do que eu abri mão, e principalmente perceber o que eu ganhei desde então por ter renunciado.
Se me perguntarem sobre arrependimento eu irei responder que não tenho ou que não me permiti mesmo parar pra pensar em ter. Sou completamente crente na ideia de que todo o meu passado me criou como sou até hoje, e sou grata a isso, sou satisfeita, plenamente contente com quem sou.
Acrescento mais. Desde muito tempo em que acredito que nada é por acaso, e agora além de ter certeza disso, eu pude perceber que coincidências também não são meras, particularmente tive motivos que me fizessem acreditar que elas são sinais, intuições e ações de Deus, porque também acredito na minha enorme fé e sei que nosso Papai do céu nos olha, protege e principalmente move pauzinhos para deixar ou não que tudo aconteça.
Por tudo isso eu me permito caminhar devagar, mas ter urgência nos detalhes de cada momento vivido. Permito-me curtir todas as ocasiões em que estão vindo de encontro a meu caminho. Estou sozinha sim, o coração ta livre, mas quieto, tirou folga talvez de um grande amor, mas jamais estará vazio, o preencho cada dia mais com diversas pessoas que se tornam especiais pra mim. Como eu disse no ínicio, não estou sem companhias, só estou na liberdade, explicando melhor, de férias do amor. Há quem diga que isso é ruim, ou talvez mentira, mas eu discordo. Todo momento se faz importante, valioso e bom a partir de como o vivemos. É disso que estou falando, viver, sem olhar pra trás, sem esperar o futuro.
A falta do gostar de alguém às vezes bate na porta, inevitável, acontece até para os mais insensíveis. Mas não ta sendo a urgência agora, não ta sendo prioridade. Comecei a descobrir lados desse mundo antes desconhecidos pra mim, gostei de voar mais alto, gostei de me jogar, gostei de não precisar me preocupar com mais ninguém além de mim, gostei de tomar as redéas das situações em que posso criar, gostei de tomar escolhas sem precisar de opiniões alheias, gostei até de errar e arrumar confusões só porque eu sabia que eram momentâneas e que sou a dona da minha história. Assim como escrevo textos e os julgo importantes ou não, inventados ou verídicos, descobri que posso fazer isso com minha vida. Não que eu esteja vivendo mentiras, cultivando falsidades, jamais, longe de mim algum dia me deixar cultivar no caminho de valores tão ruins e que eu julgo desde que me entendo por gente, serem as piores partes do mundo.
Estou gostando de viver intensamente um lado em que eu achava que não tinha nada de intenso. É renunciando que se enxerga o outro lado, que se dá valor ao que antes não tinha mérito aos nossos olhos.
Enquanto houver sentido aqui onde estou, continuarei ficando. Só saio daqui agora quando o amor voltar a fazer loucuras por mim, quando ele se tornar meu aliado e não mais meu inimigo.
Resolvi não aceitar mais nada e nem ninguém que não saibam ser completos, que não saibam largar o medo e arriscar sentimentos. Impus a meu coração que só se abra por inteiro pra alguém que saiba faze-lo bater cada dia mais, que saiba faze-lo doer de emoção, que saiba faze-lo diminuir de saudade, que saiba faze-lo acelerar de vontade. Nunca gostei de metades, sempre quis integridades. Hoje mais do que nunca optei pela emoção invés da razão, rejeito o que é morno, acolho o que é completo, dispenso friezas, aceito calores, jogo fora o vazio e admito tudo que é 100%, ou é tudo ou nem se aproxime.
Parece muitas vezes que bloquiei a abertura da minha vida e do meu coração, mas quem sabe se aproximar e se faz merecer atenção logo percebe que não me fechei, simplesmente estou selecionando, buscando qualidade, certezas, intensidades.
Nunca estive tão certa e tão plena da minha alegria de viver sem dependências, sem qualquer expectativa depositada em pessoas que jamais alcançariam o perfeito do que eu gostaria, ninguém é capaz de nos completar por inteiro, justamente porque já somos completos, somos capacitados para exalar felicidade, paz e tudo de melhor que quisermos. As pessoas e tudo que elas nos proporcionam são acréscimos para nossas vidas, tudo que se achega é lucro, é mais motivo para somar felicidades. Bastar-se é necessário para a satisfação, para aprender a não depender de nada nem ninguém, é assim que se aprende a enxergar tudo e todos como vitórias conquistadas e não necessidades.
Exatamente por ter conseguido subir esse degrau de consciência é que sei que sou e posso ser tudo o que quiser ser, pois eu sou a única responsável por mim mesma, por tudo que quero ou não viver, e o resto? Que resto? Ninguém precisa de restos quando já se tem a si mesmo.