quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Seja bobo você também!


Existem pessoas por aí que acreditam que não precisam estampar o sorriso na cara para qualquer um que se tromba ao dia, que não precisam usar e abusar da educação até mesmo com um estranho, que não precisam se preocupar com a opinião, impressão e sentimentos alheios, que não precisam se dedicar a serem bons dia após dia. Vivem por viver. Vivem pra si e nada mais. Vivem porque nesse mundo estão e só pensam em seguir adiante com o que já tem, nunca pensando no que podem ter de melhor se usufruírem de compaixão, compreensão e gentileza cada dia mais. Vivem acreditando que a maturidade atual já é suficiente. Vivem na base da comodidade e não na expectativa de possíveis vitórias além. Vivem na ignorância de pensar que o mundo lá fora é grande demais para doar o melhor de si a todos.
Quem já foi vítima de mau humor gratuito, de grosseria espontânea, de falta de educação em alto nível, de imaturidade constante, sabe bem como é frustrante reconhecer isso no outro mesmo quando não o trata da mesma forma. Dá pena de pessoas sem auto-controle, sem prudência e cautela. Conviver e principalmente, ter que aceitar um tratamento pelo qual jamais se usaria com alguém, é decepcionante. Eu, particularmente, me chateio muito quando tenho que engolir os famosos sapos. E não ajo assim não é só por educação não, é também por falta de capacidade pra revidar, responder. O que me ofende de imediato acaba me causando uma impotência. Não por fraqueza, pelo contrário. Não reajo justamente porque algo dentro de mim me impede de usar as mesmas armas pela qual a pessoa tenha me atingido. Um grito me assusta, me cala. Uma ofensa me magoa, me recolhe em lágrimas. Uma ingratidão me decepciona, me apaga. Uma briga me machuca, me incomoda. Tudo aquilo que é desentendido, me perturba, me chateia tanto que me faz perder as reações, me embala no silêncio e me entristece por dentro.
Há quem não entenda, pense que sou boba, fraca, chorona ou exagerada, daquele tipo que faz tempestade em copo d’água. Felizmente sei que passo longe de ser boba, porque como já dizia Clarice Lispector, “O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem (...) O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver (...) Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.” Sei também que passo longe de ser fraca, pois é nas dores e decepções que se aprende o quanto é forte, e esse tipo de aula eu já tive demais e continuo tendo, sem aprender não se vive bem. E exagerada admito que sou, mas como sei que existe escolhas para o melhor ou pior, optei para abstrair meu exagero em tudo o que é bom, verdadeiro, como por exemplo, a educação e prudência que falta para muitos ao lidar com a convivência. Tempestade em copo d’água eu faria se rendesse gritos, se rendesse grosserias e ofensas. Jogar o jogo da falta de educação e pagar na mesma moeda não me daria direitos pra pensar que quero e consigo ser melhor do que quem algum dia me feriu com pouco. Afinal, gritos, ofensas, imaturidade, falta de controle, insensatez, brutalidade, violência nas palavras ou até em ações é pouco, muito pouco. Eu quero e gosto do muito. Muita educação. Muita bondade. Muita gentileza. Muito sorriso. Muita maturidade. Muita cautela. Muita compreensão. Muita compaixão. Muito carinho. Muito amor. Muita verdade no olhar. Muitos valores que a rudeza desconhece. Pagar na mesma moeda não paga, só cobre ou rende mais juros. Admiro quem liquida. E para liquidar, só se for com mais, só se for com o muito!
Não gosto, não aceito, não concordo e não sei digerir o pouco e o ruim. O que é mau, me faz realmente muito mal. Dentro de mim e de tudo que aprendi e tenho orgulho em ser, viver e transmitir, é o inverso ao que ás vezes tenho que aprender a aceitar de certas pessoas que não conseguem doar o melhor para assim cultivar mais disso. Estirei minha bandeira branca para todos aqueles que se esqueceram dos muitos valores que realmente alimentam a alma. Estendi a mão para todos aqueles que já vivem pela paz e pelo muito que ainda se deve cultivar. Abri os braços para todos que querem largar o menos e praticar o muito. E para quem ainda não consegue perceber o quanto o menos machuca e o quanto o muito faz bem, deixo mais palavras de Clarice atingir vocês: “É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.”
Seja bobo você também!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Penso em você...

- Só você é você

Penso em você, logo não durmo. Queria que você soubesse... Penso em você pela forma radiante que sorri. Penso em você pelo seu jeitinho de falar, pelo seu tom de voz, pelo seu sotaque que poderia ser engraçado, mas é fofo a sua maneira. Penso em você pelo tanto que você gosta de cantar, pelo jeito que você leva pra isso, pela doçura que sua voz transmite, pela facilidade com que acompanha cada música e faz parecer com que todas são lindas. Penso em você pela sua enorme educação e simpatia com todos. Penso em você pelo seu olhar brando, inocente, bom e caloroso. Pelo seu ar de bobo mas, que na verdade esconde tamanha esperteza e maturidade. Pelo seu carisma ao tratar qualquer pessoa. Pelo seu ânimo que está presente a qualquer hora e lugar. Penso em você pela amizade sincera que te vejo dedicar as pessoas próximas. Pela sua demonstração de carinho, atenção e disponibilidade com a família. Penso em você pela sua timidez que chega a conquistar por lhe cair tão bem. Penso em você pela simpatia que não se esquece de usar nunca, não importa a quem. Penso em você pelo coração gigante que me mostrou ter, bondoso acima de tudo e de todos. Penso em você pela forma que sorri com expressão de criança arteira depois de ter sido desastrado com algo. Penso em você pela forma com que ri de si mesmo sempre por ter se esquecido facilmente das coisas. Penso em você pela sua admirável calma, paciência e diria até lerdeza, mas porque faz bem você ser assim. Penso em você pelo seu jeito manso e agradável de me contar uma história. Pela sua forma suave de aproximar e me fazer um carinho. Penso em você pelo seu respeito extremo que chega a transmitir medo por ser cauteloso demais pra não me invadir. Penso em você pelo jeito meigo e calmo com que se aproxima ao me beijar. Penso em você pela forma com que sussurra ao meu ouvido quando precisamos conversar muito próximos. Penso em você pela animação que compartilhamos e até disputamos. Penso em você até pela forma com que come, mastiga, fazendo parecer com que tudo seja delicioso mesmo não sendo. Penso em você pela sua adoração ao seu time de futebol, é contagiante. Penso em você pela forma com que me aconchega em seus braços e me embala na sua voz enquanto canta acompanhando Emmerson Nogueira, fazendo com que assim eu me esqueça até de onde estamos e quase te considerando melhor do que o cantor. Penso em você pela surpresa que me causou ao dividir comigo logo o pedaço da comida que não gosto, deixando-me assim mais a vontade. Penso em você por te ver sorrir mesmo enquanto me conta talvez a maior tristeza de sua vida. Penso em você pelo jeitinho com que fecha os olhos e parece derreter quando te abraço ou te encho de beijinhos. Penso em você por saber que gosta de cafuné e pela forma com que deita a cabeça quando lhe faço. Penso em você pelos beijos doces, lentos, compatíveis, tímidos, ousados, carinhosos e até românticos. Penso em você por ter me indicado um poema de Clarice Lispector enquanto me aconselhava dizendo que ser bobo e sempre bom como nós, faz bem. Penso em você por ser sempre tão compreensivo. Penso em você pela satisfação que me dá sempre quando não pôde me responder na hora em que te procurei. Penso em você pelo cavalheirismo e educação que me dedicou quando estávamos juntos. Penso em você por saber que seu signo é o mais compatível com o meu. Penso em você por ser sempre tão alto astral e divertido. Penso em você por todos os gostos iguais que temos sobre festas. Penso em você pela sua forma de confundir meu nome que acabou sendo fofa porque como você mesmo disse ninguém mais me chamaria de tal maneira. Penso em você pelo jeitinho com que me puxa pra dançar e não para um minuto sequer. Penso em você pelo tanto que fala depois de muito beber e mesmo assim continua sendo sensato e educado. Penso em você por tudo que já me contou e depois se esqueceu, porque você é assim ou porque bebeu além e ficou extrovertido como normalmente não é. Penso em você pela insistência que teve comigo enquanto me convidava para um show ou uma viagem. Penso em você pelo seu vício em Mc Donalds. Penso em você por ter deixado transparecer que é romântico tanto quanto eu gosto. Penso em você por ter me apresentado pra seus amigos e gostar de conhecer as minhas. Penso em você pelo trabalho e disponibilidade que teve ao me levar pra sair. Penso em você por ter se preocupado comigo quando eu não estava me sentindo muito bem. Penso em você por ter achado graça quando na verdade fui meio inconveniente mandando mensagem de madrugada. Penso em você pela forma suave e calma com que me respondeu quando perguntei se podia contar algo. Pelo jeito com que me responde sempre me deixando a vontade como se eu pudesse falar qualquer besteira e ainda assim você me ouviria. Penso em você por tudo que me aconselhou e me fez rir quando contei de uma decepção. Penso em você por sempre ter sido tão receptivo, seja pela internet, celular ou pessoalmente. Penso em você por ser decidido. Penso em você por saber que gosta de ler citações positivas. Penso em você pelo otimismo que demonstra ter a qualquer ocasião. Penso em você por ter me oferecido aulas de direção com direito a muita paciência. Penso em você por ter cumprido quando disse que me ligaria. Penso em você por ter ficado comigo a noite toda quando nos conhecemos, sendo que poderia ter fugido depois de um beijo como muitos querem fazer. Penso em você por ter feito questão de me conhecer mais. Por ter feito questão em sairmos novamente. Por ter correspondido a todas as vezes em que o procurei. Penso em você pelo seu jeito envergonhado quando quer perguntar algo mais intimo ou particular. Penso em você por esses muitos detalhes que guardei em tão pouco tempo, por muitos outros que não consegui descrever e por outros tantos que ainda quero conhecer. Penso em você por ser tudo e muito mais de tudo aquilo que sempre sonhei em encontrar durante essa vida toda.

♪ “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você” (All Star – Nando Reis)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Até quando?


To há uns dias já quebrando cabeça com uma coisa que minha mãe me disse. Ela acha que nós jovens mais prevenimos do que arriscamos e por isso na maioria das vezes perdemos a chance de viver algo bom porque ambos os lados ficam esperando a atitude alheia, sempre acreditando que é melhor não precipitar ou que é melhor esconder sentimentos pra não assustar o outro. Eu particularmente sempre fui inconformada com essa história de joguinhos de sedução, de fingir o inverso ao que se sente pra não assustar ninguém. Sempre me senti frustrada com isso, como se fosse uma proibição social, um meio em que o mundo arranjou para trancar sentimentos. Na maioria das vezes tenho vontade de chutar o pau da barraca. Só não faço isso porque geralmente penso no outro. A maioria das pessoas vivem em sintonias diferentes então não reagiriam bem.
Infelizmente a vida não é um filme de romance onde no final o que importa é realmente ter corrido atrás do que se ama. Apesar disso sinceramente fazer total sentido pra mim, não posso simplesmente praticar um ato que o resto da sociedade julgaria como loucura, falta de senso ou desespero. É frustrante ter que agir pensando na aceitação dos outros, mas é como se diz: “A voz do povo é a voz de Deus.” Como seguem religiosamente esse pensamento, bancar a louca emotiva que transborda transparência e é sincera com tamanhos sentimentos, não dá! É como se existisse subconscientemente para todos uma clausula que obriga a prática de um jogo de sedução onde o que mais parece importar é o fingimento e um esconde-esconde de verdadeiros desejos e sentimentos, assim todos confiam que a cautela e a controvérsia ajudam a conquistar.
Por mim isso tudo era dado como caso perdido e viveríamos em eterna harmonia com as loucuras de amor de cada um. Essa sensação de quase claustrofobia diante da mentira, do fingimento, gera uma impotência, uma idéia de negação á batalha pelo que se quer. Filmes românticos podem ser exagerados as vezes, mas também são lindos e até os mais insensíveis já me confessaram chorar em pelo menos uma história. Por isso eu digo que vale a pena se emocionar e inspirar com tamanhas demonstrações de amor e luta. Para cada pessoa existe alguém nesse mundo afora que causaria um coração mais acelerado e uma incontrolável vontade de cometer loucuras a dois. E aí eu pergunto, por que não? Quem disse que não pode? Por que ter medo de arriscar no que se pode dar certo? Por que prevenir quando se pode ganhar? Não sei como ainda agüento, não sei como todos ainda agüentam. Acredito que controlar demais o que se sente faz é mal. A inibição, omissão do que se sente e quer não leva ninguém a nada, ou melhor, até leva, leva a possíveis mentiras até para si mesmo. O descontrole deveria ser mais levado a sério, deveria ser mais vivido. O mundo se fechou para a sensibilidade e a verdade. Todos escondem um gostar, um querer e rezam silenciosamente para dia após dia a pessoa querida se tocar e corresponder. Feliz de quem assim alcançou e Boa sorte para quem ainda tenta. Mas eu por ora vou continuar sufocada, inconformada. Prefiro levar adiante a tentativa de modificar isso aos poucos, por mim e com todos que convivo. Ao invés de cruzar os braços, aceitar e tentar viver assim, prefiro permanecer ao menos na pergunta: Até quando?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Hoje, perdi meu coração...


Nunca achei que fosse dizer isso, mas, hoje perdi meu coração. Não só ele congelou como parte dos meus sonhos, sentimentos, reações e esperanças. Sofri a única perda que eu considerava ter sido meu melhor achado.
Sempre tive um grande sonho de vida, um grande sonho de amor, um grande sonho de pessoa. Conforme eu vivia, me adaptava a uma realidade menos brilhante da que eu programava pra mim. As pessoas a minha volta me fizeram acreditar que nem tudo é como esperamos. Aos poucos eu senti que havia guardado meu mais lindo sonho bem no fundo, num cantinho isolado onde ele pudesse permanecer intacto, escondido, mas ainda vivo. Continuei caminhando, conhecendo mais e mais pessoas, mas nenhuma nunca me surpreendeu ao ponto de fazer saber que tinha encontrado parte do meu maior sonho. Aceitei a opção que me era apresentada pela vida. Viver as pessoas como elas são, imperfeitas, erradas, menores do que eu esperava. Não que tenha sido tudo tão ruim assim, mas perto do que eu acreditava encontrar um dia, o resto era simplesmente o aceitável, e não o completo.
Já me envolvi, já me simpatizei, já gostei, já adorei, já apaixonei, já amei e já sofri. Conheço e reconheço as diferenças de cada sensação e sentimentos. Sinto-me privilegiada por ter conhecido o amor, mesmo que não tenha sido correspondida ao mesmo grau. A partir desse aprendizado passei a ter a certeza de que nasci pra amar, de que nasci para o amor, de que nasci para lutar por isso nesse mundo que explora esse sentimento como se ele fosse fácil, rápido, só dor e comum. Sou do tipo que não se importa em discutir com mil pessoas só pra tentar mostrar o quanto o amor existe, o quanto é incrível, mágico, lindo e verdadeiro. Sou do tipo que também não se importa em perder tempo e até noites em claro só pra continuar alimentando essa crença, esse sonho que havia então se tornado minha vida. Quando me perguntavam qual meu maior sonho à resposta não era diferente: “Viver um eterno e grande amor.” O lema era defender o amor, o sentir, tudo que é verdadeiro, sincero, intenso, puro e gentil. Mas hoje eu me lambuzei de tudo o que eu até então não entendia.
Coração de pedra, medo de se apaixonar, insensibilidade diante da dor do próximo, falta de reação, falta de lágrimas, tudo isso me deixavam pasma, me faziam ter pena, me gerava uma louca vontade de ajudar, de puxar as pessoas pelas mãos, botar no colo e mostrar como tudo pode ser fácil e lindo visto do lado onde as cores vibram mais, os sorrisos prevalecem, a compreensão bate cartão, a cumplicidade se ajusta a qualquer momento e o amor faz milagres deixando a vida mais fácil e mais bela. A perda que sofri hoje me fez viver um entendimento que eu achei que fosse o único que eu nunca fosse conhecer. Por algumas horas vivi uma sensação de choque completo, me senti totalmente anestesiada, desprovida de sentimentos, sensações, reações e até pensamentos. Meu sonho de amor e de pessoa já havia se apresentado a minha vida e mesmo eu não tendo concluído a conquista em ter a pessoa pra mim, eu me agarrava às esperanças, não houve um dia sequer que eu não pedisse aos céus pela oportunidade em poder viver esse sonho. E como nem sempre surpresa é sinônimo de coisa boa, fui surpreendida pela perda da única pessoa que tinha me feito acreditar que esperar 21 anos por príncipe encantado, valia à pena.
Da mesma forma em que me senti até sem pensamentos, me sinto até agora sem palavras que possam descrever o que realmente senti. O baque foi tão grande e inesperado que eu já estava pronta a me jogar na cama, encolhida, para ver se assim a dor dilacerante me cortasse em menos pedaços. No entanto, o que provei foi um choque anestésico inimaginável. A insensibilidade se fez presente e foi tomando conta de cada parte do meu corpo. Longe de tudo que eu pudesse ter experimentado na vida, eu conheci o maior vazio que alguém pode sentir. O vazio do nada, o vazio de não sentir absolutamente nada. Para quem gosta de evitar dores essa reação seria a melhor, mas no meu caso a falta de dor e de qualquer sensação foi preocupante. Logo eu que sempre senti tudo a flor da pele, chorei as dores dos outros, e passei meses de cama por amor, não é nada natural silenciar e viver NADA. Pensei em chorar para aliviar, sensibilizar, colocar pra fora o que quer que estivesse sendo bloqueado, mas não consegui, uma lágrima sequer, não saia nada. Pensei em ligar pra alguém, desabafar, pedir um colo, um consolo, uma ajuda, mas eu não consegui discar nenhum número, não consegui pensar em ninguém que me compreendesse, não consegui principalmente falar, me senti muda como raras vezes na vida eu me senti. A única idéia que me vinha à mente era de que naquele momento e aquela experiência tinham sido algo tão dolorido pra mim que de certa forma me chocou ao ponto de me deixar em transe, em completa falta de capacidade pra sentir qualquer coisa. Meu coração havia sumido, congelado ou simplesmente se despedaçado em tantas formas que seria impossível senti-lo aqui dentro. Meu sonho, minha esperança, tudo virou pó. Pelo menos por hoje, nada mais tem sentido. Nem mesmo o amor que sempre me salvou e me deu motivos pra continuar acreditando, conseguiu fazer brotar qualquer mera probabilidade de sentir.
Perdi meu sonho quase realizado, perdi minha esperança, perdi minha vontade de lutar, perdi minha sensibilidade, perdi meu amor, perdi meu coração, perdi tudo então! E como se já não bastasse tudo isso, ainda tem gente que não compreende, não entende e nem quer ouvir sobre como e porque eu acreditava que esse sonho de pessoa era uma exceção viva, era minha visão de futuro, minha confiança no que eu sentia merecer, meu conto de fadas, meu demorado, raro e único príncipe encantado! Acho que alguma coisa ainda sinto afinal... A incompreensão alheia. Porque isso ainda dói!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Necessito de uma história com H


Tem dias em que eu paro e me pergunto: “Por que todo mundo parece namorar facilmente menos eu?”. Fico me sentindo a mal amada, a excluída, a complicada exigente que parece sobrar em termos de relacionamentos, seja por muitas exigências ou poucas correspondências. Passei a olhar pros lados, a admirar casais que aparentemente demonstram felicidade. Comecei a analisar relacionamentos próximos a mim, a analisar casais que conheço. Esperava concluir que talvez eu fosse mesmo a excluída, a azarada nesse quesito. No entanto, me surpreendi com tamanha percepção.
De que adiantaria eu dar chances a uma pessoa e um relacionamento que não me causariam calafrios, saudades malucas mesmo quando ainda se está junto, frio na barriga, mãos geladas, tremores, desejos, sonhos, coração acelerado? Qual seria a graça de estar junto de alguém que a todo tempo foi previsível, morno, fácil, agradável até demais, daquele tipo que chega a incomodar por tamanha presença e esforço em agradar de segundo em segundo? Que magia teria nos olhos daquele que me transmite uma disposição que poderia ser confundida com o que chamamos de “pateta”, ou até quem sabe, imaturo? Onde se concentra a malícia do sorriso que convida e faz estremecer as pernas? Onde encontrar o ar de confiança que exala maturidade, iniciativa e certezas mesmo quando nada foi dito? Onde imaginar sonhos se não houver surpresas e expectativas? Como desejar o morno se se pode ter o quente? Por que se contentar com o mais ou menos se se pode ter a fantasia de um tudo?
Percebi que praticamente todos os namoros a minha volta, e creio que a grande maioria de todos os namoros pelo mundo, se iniciaram no morno, se iniciaram em uma vontade que ainda tinham de que o amor fosse alcançado, e não porque já estava presente. Longe de eu julgar as vontades de cada um, a compreensão e o respeito vem acima de tudo, mas dentro de mim, particularmente falando, tenho a idéia de que um relacionamento sério só deveria ser iniciado depois que os sentimentos já nasceram e deram a certeza de que ambos os lados estão preparados para essa dedicação em fidelidade e companheirismo. Não entendo bem o que faz duas pessoas se unirem sem ter uma estabilidade e comprometimento que todos sabem que só se conquista com muita vontade, dedicação e reciprocidade. Está enganado quem pensa que amor se ganha só com convivência ou tempo. Amor não dá em árvores e não é gratuito ou rotulado como fazem hoje em dia generalizando um “eu te amo” como se fosse um mero “bom dia”. Não concordo com esse amor da boca pra fora, com esse amor simples e falso, com esse amor inventado da noite pro dia. O amor é mágico, puro, sincero, intenso e raro. Não se encontra em qualquer esquina ou beijo. Não se sente em qualquer abraço ou passeio de mãos dadas. Arrisco até a dizer que o amor não se encontra, ele é que encontra a gente!
Enquanto pensava em estudar a minha solidão de momento, fui surpreendida pelo que descobri. E como é bom se surpreender! Não sou eu a excluída ou não correspondida. Sou eu a exceção e a exigente. Há quem diga que estou errada, que estou buscando agulha no palheiro ou que vou morrer sonhando com um amor inexistente. Eis que a minha conclusão muda os rumos de tudo isso. Não estou errada em saber exatamente o que quero, me completa e me faz bem. Agulha no palheiro é raro, e é isso mesmo que eu desejo, tudo que fuja do comum, morno e fácil demais. E poderia existir sonho melhor do que um sonho de amor? Se o amor em si já é um sonho, estou no caminho certo. Não nasci pra gostar do que tenta me convencer, simplesmente só tenho vocação pra gostar do que já está mais do que provado e convencido. Perder tempo testando o que eu já sei que não mexe comigo é estar jogando fora a chance de perder tempo com o que mexe comigo, testar até onde ainda vão minhas exigências. Se existe algum tipo de fantasia, é pra esse tipo de sonho que eu quero pular. Nada que seja simples basta. Nada que não me dê certezas vale. Nada que não ferva como paixão e faça magia como o amor, me ganha. A partir de todos os fatos compreendi e aceitei minhas condições de solteira. Uma vez ouvi dizer que uma das maiores provas de amor é a espera. Então aqui estou, esperando para que o amor me encontre, porque já me convenci de que 'E'stórias de amor não me bastam, eu necessito de 'H'istórias de amor!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu ano 10 é 2010


Lá se vai mais um ano, e junto dele tudo o que vivi. Difícil saber por onde começar... 2010 chegou trazendo a certeza de que seria especial, pelo menos pra mim. 2010 talvez seja o ano mais marcante da minha vida, não por algum motivo espetacular ou acontecimento inédito, mas sim por ser um ano 10, uma data em que o número significa muito pra mim e fez principalmente do meu aniversário um marco na minha história (10/10/10). 2010 veio pra mim como um amuleto de sorte, um ano em que tudo de ruim poderia acontecer e ainda assim eu estaria bem, me sentiria privilegiada, me sentiria otimista, me sentiria no meu ano, e é por isso que 2010 me deixará logo logo com a sensação de uma despedida dolorida, irá partir levando algum pedacinho de mim, e eu não nego o receio pela entrada de 2011. Meu ano está indo, não há como evitar o pensamento sobre como vai ser os próximos 365 dias sem a proteção de sorte do meu 10. Durante esse ano além de datas marcantes eu pude viver pessoas marcantes. Descobri que ainda conseguia me apaixonar, perdidamente, platonicamente e incansavelmente. Descobri o quanto sou forte, insistente, amiga, companheira, baladeira, elétrica, comunicativa, expansiva, animada, compreensiva e mais ‘N’ coisas que me fizeram me amar mais, me valorizar mais, ser amiga de mim mesma e acreditar. Nesse ano também tive um sonho de toda a vida realizado. Ganhei minha cachorrinha, a Cassie, uma yorkshire linda, fofa, elétrica, louca, amorosa, que fez dos meus dias mais felizes, das minhas noites mais gratas, dos meus sorrisos mais alegres e dos meus carinhos e cuidados mais presentes (se é que isso é possível). Ela se tornou uma parte de mim, da minha família e do meu amor incondicional, sem ela já não fico. 2010 também me trouxe mais liberdade, mais desapego e confiança por parte paternal. Pude enfim me sentir mais próxima da vida lá fora, das pessoas, da noite, do luar, estrelas e nascer do sol, afinal eu saio de noite e volto de manhã. Ganhei mil momentos especiais, incansáveis crises de risos, terríveis dores nos pés (que nem me importo em ter tido) devido aos finais de semana em que eu me acabava em pistas de danças, olhares expressivos, sorrisos incontidos, lágrimas, medos, esperas, expectativas, a certeza da amizade, companheirismo, diversos desencontros, mensagens de madrugada, ligações perdidas, sacrifícios, alegrias, surpresas... Até mesmo o que poderia significar algumas dores, ainda assim me serviu de bons frutos pra depois poder sorrir e erguer a cabeça querendo mais é viver, viver e viver!
2010 foi paixão, história, amizade, companheirismo, abraços, bondade, danças, risos, sorrisos, lágrimas, mãos dadas, conselhos, conversas jogadas fora, conversas úteis, maturidade, auto-estima, amor, espera, perdão, juízo, compreensão, sorte, Deus, família, amigas, sonhos, esperanças, preguiça, sono, paciência, busca, intuições... Vivi tanta coisa que nem caberia aqui. Tive de tudo um pouco pra poder dizer que apesar dos pesares, valeu mais do que a pena. 2010 foi ótimo, foi proveitoso, foi um desfrute que me fez bem, me fez melhor, me fez ter a certeza de que tudo me rendeu algum aprendizado e é por ter sido tudo dessa forma que o gostinho de quero mais já monta abrigo por aqui, fazendo com que 2011 tenha certa responsabilidade. Tudo que é bom dura pouco... 2010 voou, 2011 já bate na porta e eu ainda não quero deixá-lo entrar. Que toda a energia boa de 2010 se faça presente na virada do ano e se multiplique durante o resto dos dias. Tudo que vivi e aprendi nesse ano, será necessário ao próximo e assim por diante. Sempre melhor, melhor e melhor... Desejo a todos que aqui acessam, um perfeito réveillon, e um ótimo Ano Novo! Muito amor e paz no coração de todos e que Deus abençoe a bondade e o ‘sentir’ na vida de cada um, a humanidade precisa de mais união, pureza, compaixão e compreensão. Tudo de bom a todos! Obrigada aos que me acompanharam esse ano e me dedicaram recadinhos carinhosos e sempre tão otimistas. Tudo em dobro para todos que sempre me quiseram bem e um Feliz Ano Novo para o mundo que ainda acredita e vive o amor!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sinta!


Aquelas conversas sobre o homem ideal sempre rola entre amigas. São uma constante troca de opiniões, gostos, vivências, beijos, lágrimas, sorrisos e tudo que complete a bagagem que nos dá a certeza do que realmente queremos no futuro. Depois de mágoas choradas, desabafos colocados pra fora e muita figurinha trocada, ambas amigas se consolam baseando-se no mesmo clichê que todos usam nesses momentos: “Você ainda vai conseguir encontrar alguém ideal, seja otimista.”
O conselho pode ser até previsível, mas geralmente ajuda, surte um efeito de esperança, de compreensão, cumplicidade entre quem está dando e quem está recebendo. Mas é um conselho que pode também não servir para quem já tem no coração a certeza de ter encontrado a pessoa ideal, porém, o que altera a história agora já não é a falta da pessoa certa e sim a posse dessa pessoa. Não basta ter encontrado, necessita-se de ter a pessoa. Só que amiga é amiga, e sempre vai ter ouvidos, colo e conselhos para dar e vender. Aí é que mora o problema. Compreender o vazio, a falta de alguém, a busca, é muito mais fácil do que compreender o querer, o gostar por alguém que ainda não sabe ou não corresponde. Colo todo mundo sabe dar, conselhos brotam pelo mundo afora, mas silenciar diante dos sentimentos solitários dos outros é algo extinto. As pessoas já se acomodaram tanto no cargo de amiga conselheira que se esquecem de apenas ouvir, se esquecem de olhar de verdade, de se doarem as dores do próximo para assim conseguirem realmente entender. Só se preocupam em ajudar a partir de suas próprias experiências. Pensam em suas dores já vividas, problemas já superados ou não, e assim acham que a vida se faz de tudo aquilo que se pode poupar. Poupa-se um risco para evitar uma possível dor. Poupa-se uma expectativa para assim evitar uma possível frustração. Poupa-se uma entrega para tentar evitar uma desilusão. E assim por diante. A grande maioria das pessoas se concentra em impedir ao invés de simplesmente ir. É raríssimo ouvir alguém dizer: “Se arrisque mesmo sabendo que pode doer. Sonhe, crie expectativas e não pense no depois. Se jogue, se entregue e mesmo se houver uma desilusão acredite que tudo o que se sentiu antes vale mais a pena do que o não sentir nada.”
O mundo ficou frio e automático. As pessoas ficaram distantes e insensíveis. Elas falam, mas não escolhem as palavras. Elas ouvem, mas não escutam. Elas gostam, mas não amam, tem medo do amor. Elas se relacionam, mas não se entregam, não se mostram por completo. Elas ajudam, mas não doam, não se doam. Elas entendem, mas não compreendem. Elas aconselham, mas não se colocam no lugar do outro para saber se é válido o que dizem. Elas cuidam do coração, mas não sentem o (pelo) coração. Elas querem, mas acham que não podem. Elas existem, mas não vivem!
Portanto, quando uma amiga disser que entende, mas percebe-se que não compreende, pois continua aconselhando ao invés de silenciar, continua se preocupando em tentar ensinar o que se deve evitar ao invés de insistir e arriscar, continua acolhendo com carinho mas negando que lutar pelo que o coração quer pode doer futuramente, tenha pena! Tenha pena de quem segue a razão e não o coração. Tenha pena de quem não enxerga o que só o coração faz ter sentido. Tenha pena de quem ainda está com os olhos cegos, a boca nervosa, o tato receoso, a audição fraca, o olfato adormecido, e o coração racional. Intuição faz sentindo, sentir faz sentido, compreender faz sentido, esperar faz sentido, amar faz sentido, e tudo que faz sentido vale à pena!
Se alguma voz já sussurrou em seus ouvidos e tanto o tom como o sotaque fizeram seu coração pular, apure mais os ouvidos e continue escutando, não desista. Se uma gentileza, uma doçura, uma boa educação ou um coquetel completo de boas qualidades te deixou sem palavras, continue em silêncio, continue aprendendo a conhecer o que te faz bem, não resista. Se alguma personalidade te chamou a atenção, te deixou maravilhada com tamanha compatibilidade e te fez querer perder a noção das horas enquanto trocavam experiências, quebre o relógio, desligue o celular e esqueça o calendário pelo menos enquanto estão juntos, conheça mais, se perca do tempo. Se um poema que te indicaram fez sentido logo no momento em que mais precisava e te deixou sorrindo atoa, se delicie com tamanha doçura e acredite que ainda existe romantismo, sonhe mais. Se um elogio te fizer repensar sobre algo que acreditava incomodar e te deixar corada de vergonha, não esconda a alegria, inspire-se também e ame-se mais. Se um sorriso te deixar de pernas bambas, não esconda, se jogue, sorria de volta, sorria pro mundo, sorria mais todos os dias. Se te surpreenderem com paciência mesmo quando estiver falando abobrinhas e te deixarem a vontade como ninguém nunca fez, não duvide, esqueça a precaução, jogue mais conversas fora e perca tempo com quem também não se importa em perder tempo com você. Se um romantismo, uma fofura e uma simpatia cruzarem seu caminho ao mesmo tempo te deixando sem ar, abra os braços e abrace com vontade, acolha, retribua, acredite que é sincero e se doe também. Se tudo isso e mais um pouco bater a sua porta, não tenha medo, não fuja da felicidade, não se esconda do amor, não duvide da paixão. Suas pernas vão bambear, seu coração vai acelerar, borboletas vão se debater em seu estômago, suas mãos vão suar, seu pulmão vai parecer sem ar, seu mundo vai parecer girar mais rápido... Aproveite cada sensação, cada momento, cada segundo. Sua intuição vai falar e seu coração vai concordar. Assine o contrato que eles irão lhe propor e vá viver ao invés de existir. Vá amar ao invés de gostar. Vá sentir o que talvez sua amiga nunca tenha sentido e por isso ela lhe dirá para não acreditar que dessa vez é pra valer. Nunca duvide de si mesma. A verdade do que é ou não pra ser seu, estará sempre dentro de você! Acredite em si mesma, acredite que seu coração fala com você e perceba os sinais que seu corpo lhe dá. O mundo pode ter esquecido do amor, da sensibilidade, da compreensão e do silêncio que se faz necessário quando o que realmente importa acontece dentro de nós, mas você não precisa acompanhar a maioria. A minoria é sempre a exceção, e a exceção é sempre o que faz a diferença. A diferença que você fará no mundo é essa. Seja também uma raridade. Sinta!