sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Parte VII: O mais estranho amor da minha vida

Continuação... Texto para o blog: Amores-cruzados

Eu já estava no colégio, sentada na minha carteira, concentrada em um cálculo matemático, quando o professor pediu a atenção de toda a sala lá da frente e pudemos notar que o porteiro do colégio estava lá parado na porta esperando como se quisesse dar um recado. Sr. Carlos, o porteiro, meu amigo de todas as manhãs deu um passo mais a frente na porta e chamou pelo meu nome. Levantei-me apreensiva pensando em mil coisas que poderiam estar acontecendo para ele vir me dar algum recado assim de urgência no meio de uma aula. Mas ao me aproximar da porta, Sr. Carlos pegou das mãos de um outro rapaz que o acompanhava timidamente, um lindo arranjo de rosas amarelas e colocou em meus braços. Nesse momento eu me senti totalmente perturbada e envergonhada. A sala inteira fazia barulho e demonstrava curiosidade enquanto eu queria apenas esclarecer aquele mal entendido. Aquelas flores com certeza não eram pra mim, eu estava participando de um grande engano. Fiz menção de devolver as flores para o Sr. Carlos, mas ele abanou as mãos dizendo que não eram pra ele e deu um sorriso animador à turma como se estivesse gostando da euforia que faziam pra mim. O professor também parecia estar se divertindo com a situação e apenas disse para eu pegar o cartão azul que estava no meio das flores. Já estava sendo constrangedor tudo aquilo, ler o cartão na frente de todos seria ainda pior. Pedi permissão pra sair de sala e ir pelo menos ao banheiro. O professor deixou, mas a sala fez som de desaprovação, queriam mesmo saber o que tinha ali e o que estava acontecendo, afinal, eu sempre fui uma menina sem graça, ninguém me notava e muito menos sabiam da minha vida monótona. Fui o mais depressa que pude ao banheiro mais perto da quadra do colégio, pois eu sabia que ele era o mais vazio naqueles horários. Chegando lá eu tive pelo menos certeza da minha privacidade. Entrei em uma das portinhas, fechei e me sentei na privada. Peguei o cartão novamente, olhei-o por um minuto, analisei e abri com um pouco de medo do que poderia conter ali:

“Meu amor, desculpa pela surpresa, sei que você talvez não gostasse de receber noticias minhas em pleno colégio, mas eu não arrumei outra forma de me comunicar com você. Te seguir novamente não seria uma boa atitude, eu te respeito e quero me aproximar se você mesma permitir isso. Estarei hoje na ponte, no horário do fim da sua aula. Espero que você possa me dar uns minutos do seu tempo, precisamos conversar, me deixe por favor esclarecer algumas coisas entre nós. Mil beijos minha linda! Esperarei ansioso pela sua presença. Danton!”

Fiquei boquiaberta com a ousadia que Danton tinha para me procurar, me fazer surpresas e principalmente, me conquistar. Era difícil admitir isso pra mim mesma, mas eu não podia mais me enganar por tanto tempo. Tentei esquecê-lo enquanto havia distancia entre nós, mas acho que aquele não era meu destino.Ao sair do banheiro, levei as flores até a cantina e pedi para um dos cantineiros colocarem em um vaso com água para mim que no final da aula eu passaria pra pegar. Voltei à sala de aula o mais de pressa que pude e me sentei em minha carteira com a cabeça já abaixada fingindo voltar rapidamente ao meu antigo exercício para ver se assim eu seria menos notada, mas não adiantou muito. Todos estavam me olhando e minhas amigas me lançavam olhares de curiosidade e fúria. Eu sabia que elas estavam me condenando por não ter contado nada a elas sobre um suposto romance. Passei os 2 último horários planejando minha fuga rápida para o fim da aula. Eu queria sair despercebida para que ninguém chegasse perto querendo respostas. E assim eu consegui fazer, deixei até mesmo as flores na cantina, afinal, eu não teria desculpa pra dar a minha avó sobre mais flores. Quando dei por mim já estava afobada e apontando na ponte. Danton me esperava debruçado em uma grade da ponte e parecia absorto em seus pensamentos. Cheguei de mansinho, me apossei do lugar ao lado dele a direita, coloquei meu braço colado no dele e foi ai que ele pareceu acordar do sonho bom que vagava em seus olhos. Ele me observou com um doce maior no olhar, tocou minhas mãos e levou uma delas nos lábios. Meu coração acelerava a qualquer toque e aproximação dele. Respirei fundo e tentei manter minha calma do dia anterior. O momento do encontro de nossos olhares e peles parecia parar o tempo e nos levar a eternidade mesmo sem palavras sendo pronunciadas até então. Naquela hora eu senti que estava com a pessoa certa, na hora certa e no lugar certo. Eu tive a certeza de ter encontrado o amor da minha vida.

2 comentários:

Carolzinha_ disse...

nossa, bom..realmente você escreveu um livro né? AHAUAHAU!
Mais é o melhor livro que já li em toda minha vida *---*
Realmente é lindo :)
parabéns ^^

Mary West disse...

Muito belo!! Adorey! :D