quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A felicidade existe mesmo acordando com o pé esquerdo

Assim como ouvi de algumas pessoas, passo isso adiante: “Felicidade completa a gente só encontra em comercial de margarina.”
To quase crendo que isso é verdade. O dia pode estar ótimo, a semana correndo bem, o mês indo de vento em polpa, mas sempre existe uma pedra no caminho, mesmo que seja minúscula. O mal da grande maioria é enxergar a pedrinha como uma “pedrona” e fazer disso algo mais importante do que todo o resto que se vive. Isso se chama exagero incrementando de pessimismo e não há felicidade que resista. As coisas boas só permanecem quando se consegue enxergá-las todos os dias por mais obstáculos que possa surgir para nublar.
Dar mais atenção e tempo para as pedras, desgostos, decepções, erros, problemas em questão, só nos tiram realmente do foco de tudo que possa harmonizar melhor nossas vidas e astrais. Pessoalmente falando, a felicidade está dentro de nós, basta querer tê-la todos os dias, desde quando se acorda com o pé direito ou esquerdo, até quando se leva uma crítica ou elogio. Tudo só depende de nós para fluir bem e continuar caminhando com positivismo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Nem tudo está perdido

Tem dias que tudo parece estar fora do lugar. O carinha lindo de ontem é um insuportável hoje, a amiga conselheira de ontem virou a crítica hoje, e assim segue as infinitas mutações. Por essas e outras, acabo decidindo virar “zen” e esquecer de tudo e todos, vivendo cada momento como se fosse o único. Já brinquei que viraria freira por tantas desilusões amorosas, já disse que me casaria com meu namorado da época e por fim descobri que nem ele e nem o amor durariam para isso, já quase quis revoltar com a vida, mas acho que essa parte de virar louca é a única coisa que não consigo fazer (graças a Deus).
Sofro antecipadamente, sofro pelo que ás vezes nem chega a acontecer, sofro por quem não merece, já sofri até por quem nem sabia direito da minha existência. Um dia todo mundo cansa de dar cabeçadas na parede. Creio que esse dia também chegou para mim. Ainda tenho oscilações e dúvidas, mas to cada vez mais certa das minhas últimas vontades e decisões. Única delas que ainda me abala, mesmo sendo raro, é a idéia de ficar só. Chega um ponto que não dá mais pra adiar com as vírgulas. Sofrer também cansa, esperar cansa, procurar cansa... Viver sem preocupar com esses tipos de coisa não cansa, pelo contrário, faz um bem danado. Mas ninguém é de ferro e chega uma hora que um colo faz falta. É aí que percebo como ainda tem gente que possa valer a pena, mesmo depois de toda a revolta e generalização.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Vamos concertar?

Te ver passar assim por mim e não poder ao menos te parar e tomar uns minutos do seu tempo pra mim, é crueldade com meu coração. Lembro-me de quando passávamos horas conversando, planejando mais momentos juntos, contando um ao outro sobre momentos divertidos que passamos antes de nos conhecer. Quando estávamos juntos parecia que o tempo parava, era como se dali em diante tudo fosse acontecer assim, com você e eu, juntos. Acho que nossa vontade na época era mesmo assim, relacionada a um ‘sempre’ que nunca existiu ou nunca existiria. Mal sabe esses enamorados o tão errado estão em fazerem de suas vidas uma única apenas, fazerem de seus sonhos individuais, também um único. Depois que tudo deixa de ser conto de fadas, tudo deixa de ser pra sempre, vira nada mais, nada menos do que uma fossa com direito a arrependimento por terem perdido tempo fazendo planos para um futuro que não seria ‘nosso’ futuro. Invés de preocupar com o amanhã, todos esses corações mais coloridos deveriam se unir apenas pelo valor que habita dentro deles hoje, curtir cada segundo que possam ter hoje. Fico tão decepcionada comigo mesma quando percebo que perdi momentos ao seu lado preocupando com meu amor para o dia seguinte. Agora é assim... Você passa por mim como se eu fosse só mais uma parede que você enxerga bloqueando sua passagem. Longe de mim ser um obstáculo. Só acho que nem você mesmo percebeu ainda o erro que cometemos juntos. E se foi juntos, também podemos concertar juntos.

domingo, 19 de outubro de 2008

Roubei a atenção ou a cena?

Sentada no metrô, eu fiquei atenta a todos os movimentos do lado de fora. Borrões passavam pela janela mal ilustrada da porta mais próxima em que eu olhava. Estava tudo muito desinteressante. Foi quando notei o casal ao meu lado direito, conversavam animadamente sobre algo que estavam olhando na câmera que estava nas mãos do rapaz. A moça, ria timidamente como se a própria foto a deixasse envergonhada, e o rapaz parecia se divertir com tudo aquilo. Quando desviei meus olhos do casal, vi que alguém também me notara. No banco de frente ao casal, tinha um outro rapaz, com uma curiosidade no olhar. Assim que retribui o contato visual, ele abaixou a cabeça e em seguida correspondeu ao “psiu” que a moça da câmera fez para ele. Aquele casal então deixou de ser casal, pois afinal, era um trio de amigos, e aos poucos fui prestando atenção nas cenas que se seguiam. Cautelosa para o rapaz solitário não notar meu interesse na viagem deles ao meu lado. Pelo que percebi, a foto que tinha na câmera era do rapaz que estava sentado sozinho, a moça então estava quem sabe afim dele, porque todas as suas expressões e ações condenavam isso. O outro rapaz, dono da câmera ou não, estava ali no meio de tudo aquilo como um intrometido mesmo. Mas o tal rapaz que despertava o interesse da moça foi uma incógnita pra mim. Não soube dizer qual era a dele. O olhar dele era de curiosidade e oscilava às vezes para uma tristeza indecifrável. Ele parecia aceitar a brincadeira das fotos com sua própria imagem numa boa, mas quanto à moça... Digamos que ela seria só mais uma vítima de um interesse não correspondido. Só não compreendi muito bem por que tanto ele também me lançava olhares. Eu estava me esforçando bem, creio eu, para não olhar para eles, estava pescando tudo pelas falas e visões que o espelho da frente me gerava de onde estava sentada. Quando enfim me toquei de que minha parada estava próxima, me levantei rapidamente, peguei minha bolsa ao lado e fiquei de pé. Assim que a porta a minha frente se abriu com a brusca parada do metrô, lancei uma ultima olhada aos três, a moça e o rapaz da câmera mais uma vez entretidos com alguma foto e o rapaz solitário, ergueu o rosto pra mim e arriscou um possível e singelo sorriso pelo canto dos lábios. Eu mais do que assustada sem entender, olhei para a porta, pisei em falso, olhei pra ele novamente pra guardar aquele rosto e enfim desci. Já do lado de fora de toda aquela história que não pertencia a mim, tive compaixão pela moça que nem notou o quanto ela estava se iludindo com quem não estava dando a mínima para ela e graças a tudo aquilo, tive um resto de dia até agradável, afinal, eu já podia agora confessar pra mim mesma que o rapaz solitário tinha um belo rosto, acho que dava pra entender o fascínio que ele gerava na moça.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O dia em que encontrei o mais estranho amor da minha vida

Texto para o blog: Amores-cruzados

Vagando sozinha pela pequena ponte que rodeava um lago, percebi o quanto era belo aquele momento e toda aquela paisagem que estava ali se demonstrando para mim. Dei-me ao luxo de matar uma aula só pra ficar ali, observando tudo de belo que a natureza nos oferece. O céu azul, cintilando um azul bebê que fazia contraste com as poucas e rasas nuvens. O vento soprando as pequenas ondas que se destruíam suavemente ao colidir com as ferragens que suspendiam a ponte em que eu estava. Debrucei-me na beirada da grade mais próxima e fiquei apenas sentindo o que de mais simples se encontra nesse mundo hoje e que infelizmente nem todos sabem desfrutar.
Viajei nos meus pensamentos e sonhos. Fui a vários lugares, visitei amigos distantes, relembrei de rostos serenos que me deixaram saudades, me permiti abusar, usar e criar dos meus próprios momentos. Foi quando de repente, no auge da minha constante e fértil imaginação, notei que não estava só. Olhei rapidamente a minha esquerda e analisei brevemente o segundo sonhador que me acompanhava. Perguntei a mim mesma se ele estaria ali há muito tempo, se estaria também a me observar durante todo o meu percurso imaginário. Fiquei envergonhada ao pensar que tinha mais alguém a todo instante sonhando acordado ao meu lado ou talvez quem saiba me analisando e imaginando o que eu estaria fazendo sozinha por tanto tempo com um olhar tão vago. Mais que depressa, recolhi minha mochila que estava jogado aos meus pés bem do meu lado e joguei uma alça pelas costas já me virando para caminhar na direção contrária em que aquele estranho estava:
- Não precisa ir embora. Perdoe-me se te incomodei.
A voz era doce e suave, mas ainda assim me mantive apreensiva, afinal, estranho, é estranho. Virei-me lentamente para encontrar os olhos que me analisavam. Fui surpreendida com tanto calor humano que senti minhas mãos afrouxando na alça da mochila. Minha voz – que não saiu como eu queria e muito menos simpática como à dele - saiu fina e estremecida:
- Não. Eu... Já estava indo mesmo.
O olhar que ele me mandou e o sorriso singelo que ele soltou pelo canto direito da boca me fez sentir um fervor enorme nas bochechas. Estava torcendo para que minhas feições não entregassem toda a minha timidez:
- Notei que você estava indo bem com seus pensamentos até perceber minha presença. Não quis te assustar. Fiquei curioso pra saber o que de tão bom te criou aquela expressão de dar inveja.
Realmente eu estava certa. Fui observada todo o tempo e eu já não tinha mais forças pra lutar contra a minha vergonha:
- Ah! Eu só estava... Pensando em uns amigos.
O sorriso dele parecia ser cada vez mais encantador à medida que se alargava:
- Humm! Então suponho que você tenha belos e grandes amigos.
E dessa vez o sorriso me atacou por completo. Esse devia ser o estranho menos estranho que eu havia visto em toda a vida:
- É, são sim. Quer dizer... Grandes amigos.
Será possível que eu não conseguia parecer firme e correta com as palavras? Isso nunca havia me acontecido. Eu nem estava com medo mais dele, talvez porque ele nem parecesse tão mais estranho, mas talvez também porque ele estava me cativando a cada sorriso e olhar a mais que me lançava:
- Bom, não vou mais tomar seu tempo. Foi um prazer! E... Obrigada pela melhor expressão que já vi.
O sorriso dessa vez foi menor, porém tão charmoso quanto os de antes. Ousaria até dizer que foi mais significativo acompanhado de um olhar tão expressivo que parecia querer me dizer alguma coisa:
- Atá! É... Quero dizer... De nada, o prazer foi meu.
Nossos olhares se encontraram novamente e ele deu um passo à frente. Pude ver como seus olhos eram brilhantes e fervorosos como se a alegria habitasse ali constantemente:
- Permita-me ter essa visão novamente. Há anos venho vindo nesse lugar buscar algo que nem eu mesmo sei. Acho que só hoje algo fez sentido.
Foi então que meu coração deu um pulo maior de exaltação e me fez compreender o próximo encontro que eu teria com o estranho menos estranho e encantador que eu já tinha conhecido:
- Acho que amanhã minha aula pode esperar novamente.
Ele enfiou as mãos no bolso da calça jeans, retirou um papel dobrado e me entregou lançando-me uma piscadinha arrebatadora e disse:
- Por mais loucura que possa parecer, eu sempre estive preparado para esse momento.
Ele caminhou até mim, mas passando direto, com aquele sorriso lindo e charmoso nos lábios. Olhei para trás para acompanhar seus passos na direção do fim da ponte em que estávamos. Fiquei perdida por uns instantes em meus pensamentos, alguns sorrisos e olhares. Quando enfim me dei conta do pequeno papel em minha mão. Abri e lá continha:

“Eu esperei por você todo esse tempo que estive vagando neste local que meus sonhos sempre me mandavam vir em busca de algo. Eu sabia que devia ficar preparado para o dia em que encontrasse o que eu sempre soube que faltava pra completar minha vida. Se este papel está em suas mãos agora, saiba que é porque você foi à pessoa mais certa que passou em meu caminho até hoje. Te vejo amanhã e sempre, assim espero.”

Li e reli sem acreditar no que estava na minha frente. Eu estaria sonhando? Estaria participando de uma pegadinha? Ou aquele estranho era mesmo o maior estranho e louco que eu conheci? Só tive certeza de uma coisa. Loucura então se transmite, porque o que eu estava sentindo não era nada comparado a tudo que já tinha vivido. Voei para casa naquele dia e só pensei em deitar na cama logo e dormir para assim acordar no meu próximo melhor dia da minha vida.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Apresentados pelo sofá

Naquele momento eu achei que minha noite já estava dada como terminada. Enganei-me assim que percebi que um estranho se apossou do assento que estava vago ao meu lado. Não demorou muito, notei que tínhamos amigos em comum e devido a isso fui formalmente apresentada ao rapaz. Era até então uma personalidade normal como todas as outras, mas à medida que íamos criando uma proximidade maior, fui tomando consciência do quanto àquela pessoa estava deixando de ser só mais uma no meio de tantas. Seu olhar triste, mas também caloroso me fez sentir compaixão. A fala mansa e tão próxima dos meus ouvidos me puxava com mais curiosidade. Os minutos foram somando, em torno de nós todos se movimentavam para fora do local e eu ainda me sentia presa no sofá e na pessoa que eu acabava de descobrir. Não queria ir embora, não queria deixá-lo, não queria esquecê-lo em só mais uma noite da minha vida. Seria só mais um belo conjunto de beleza exterior com interior pra chamar minha atenção? Ou estaria eu já bem embriagada de puro cansaço ao ponto de estar criando expectativas demais onde não existia nada de tão bom assim? O fim de cada noitada só deveria terminar ao som da última badalada do “tic tac” do relógio da cabeceira de nossas camas. O fim nem sempre é realmente o fim. Podemos ser surpreendidos por personalidades, rostos, olhares e falas mesmo quando já estamos a caminho de casa. E são acontecimentos inesperados e agradáveis como estes que fazem todo o resto parecer muito melhor do que teria sido até ali.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vida ou novela?

Quanto mais planejo metas para a minha vida depois de certas decepções, mais a própria vida me ensina que eu estou tentando lutar contra o que é mais forte do que eu, o inevitável destino. Tristezas vêm e vão, alegrias vem e vão, assim como também pessoas e amores vem e vão. Sempre me permito sofrer o necessário por cada perda e me alegrar com cada conquista. Também sempre me permiti ter ódio de quem tivesse pisado na bola comigo, como também tive meus momentos de ouvir o coração e saber que magoas passadas não ficam guardadas aqui, pelo menos comigo não funciona assim. Sei que existe perdão e sei usá-lo. Sei que existe reconciliação e também sei usá-la, porém nem sempre encaixo a reconciliação como as coisas eram antes de serem estragadas.
Vejo cada dia mais que o tempo é meu melhor amigo, o mundo gira, dando muitas voltas, longas, porém tão rápidas. Quando menos se espera, cai no nosso caminho aquele fruto largado no passado. O que se plantou lá atrás e não se tem mais vontade de colher agora, infelizmente ainda é pertence nosso. Querendo ou não, uma hora ou outra, o que se espera ou não, está aqui de volta, fazendo parte de nossas vidas. Assim está sendo comigo em um novo momento.
Às vezes sofro antecipadamente, crio milhões de viagens inexistentes na minha cabeça sobre pessoas e coisas que me fazem sofrer em uma determinada época, me alegro com ilusões e nada mais do que isso, me apego e acredito em pessoas que nem sempre estão sendo sinceras tanto quanto possam parecer pra mim, e assim vou indo, caminhando junto com minha inocência e exagero. Só que dessa vez acho que basta encarar o recado que a vida quer me dar. Não vale a pena viver apenas de constantes momentos ou de inconstantes sofrimentos. Pra que? Se logo mais na frente o destino me trará de volta aquele alguém que eu nunca mais iria querer por perto, ou trará outras tantas surpresas que farão de mim uma mera formiguinha diante de tudo que eu batalhei pra criar na minha mente. Assim se vive assim se aprende! Não compensa lutar contra o coração, não compensa lutar contra o destino, contra o tempo, contra as voltas que o mundo dá. Por mais que não se procure, o que talvez menos se queira é o que pode ser o que mais precisamos ainda enfrentar. O passado nem sempre é apenas passado e o futuro nem sempre é o único futuro que importa. Viver sem metas, sem ódios, sem magoas, sem programações pra fugir do que não se quer mais ajuda a não tombar na hora dos sustos que se toma com as peças que a vida nos prega. Minha conclusão final é que a minha vida, por exemplo, é uma novela literalmente, daria um bom livro!