terça-feira, 11 de maio de 2010

Amor que é amor, permanece amor, mesmo que mude


“Tereza: Eu sempre te amei mais do que você se importava em ser amado, e por ter te amado muito, eu sempre perdoei tudo que você fez pra perder meu amor. Olha que você se esforçou, porque você fez tudo pra que eu te odiasse, fugisse de você, sumisse da sua vida, deixasse você livre pras suas aventuras.

Marcos: E pelo visto eu consegui.

Tereza: Não. Isso é que é o pior.”

Semana passada, não me recordo mais do dia exato, eu anotei esse diálogo da Tereza e do Marcos da novela viver a vida porque senti que era pra mim.
Às vezes muito do que se quer expressar soa melhor na voz de outras pessoas, ou parece mais bonito sendo vivido também por outros. A escolha das palavras certas, a simplicidade dita no que parece tão dificil na prática se passou ali na TV a minha frente aquele dia e eu senti que deveria guardar.
Nada melhor do que escrever sobre.
Eis que me vejo encaixada em cada palavra, em cada pedacinho de dor que a personagem demonstrava.
É assim para mim, exatamente da forma que foi descrita.
Amei e sei ainda ser capaz de amar da forma mais sublime e grandiosa que se pode existir, mesmo percebendo que a pessoa sequer valoriza o grau de sentimento que lhe dedico. A diferença entre eu e quem me ama está na dor da falta de correspondência e no perdão que eu sei usar mesmo quando não deveria. Quando amo, amo simplesmente e não penso duas vezes. Me entrego, me jogo, me permito viver intensamente o amor e suas mais variadas formas de me fazer feliz. Exatamente por ser assim, não consigo guardar mágoas de quem não tenha valorizado meu sentimento. Podem errar comigo, podem me machucar, mas ainda assim, se existir amor, eu saberei distinguir o passado do presente e perdoarei. Não esqueço, é demais pedir que se esqueça dos erros cometidos, das dores que me trouxeram injustamente enquanto eu amava da forma mais pura e mágica. Mas jamais negaria ou negarei perdão e aproximação a quem eu amei ou amo.
E como disse a Tereza na novela, isso é o pior de tudo. Não existe nada que me faça mudar, que me faça largar a bondade, o perdão. Sou do amor, vivo pelo amor e ele não combina com nada que vá contra a isso, dessa forma eu vivo de acordo com todos os sentimentos favoráveis ao que é bom, ao que uni as pessoas, ao que tras paz, compreensão.
Quem eu amei algum dia será sempre amado. Não importa o que aconteça, amor que é amor, permanece amor, mesmo que mude.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A maior dor

Não tenho com quem compartilhar essa dor. Simplesmente por ser a minha maior dor. Não me lembro a última vez que chorei, não estava me permitindo soltar lágrimas por ninguém, não de tristeza, eu escolhi sorrir e meus olhos só se pronunciariam com lágrimas se fossem de felicidade.
Hoje decidi não lutar nem negar, segui minha lei, sinceridade com as emoções. Aceitei a angústia que tomou conta de todos os pontos do meu corpo, aceitei os pensamentos que voaram direto pra você.
Lembro-me do dia em que te dei Adeus. Escolha minha, eu tive certeza e ainda tenho, eu fiz o certo. Os motivos que me fizeram tomar aquela decisão é que nunca foram certos. Insuportável ter a sensação de que aquele fim, não foi realmente o fim. Histórias que escolhemos não mais viver devido a erros, problemas, confusões, parecem sempre voltar, como se pedissem para ter um final, feliz ou não, mas um final decente, um final com ponto final, não com uma vírgula que só serve para anteceder o que não se pode resolver imediatamente.
Naquela noite eu fiz o que tinha que fazer. Optei por mim, ainda estou optando por mim e aprendi a sempre optar por mim antes de tudo e todos. Não abrirei mão dessa condição. Lutei por nós até onde pude, mas não se ganha uma guerra sozinha. Decidi renegar ao que mais pensei que amava, ao que eu mais achava que era necessário. Abri mão de você, pra me receber de volta. Aqui estou, novamente completa, livre, bastando-me, permitindo-me. Por isso hoje eu me permiti viver você como não vivia desde aquela última noite. O que eu não sabia era que iria descobrir o quanto dói sentir que espero sua volta.
Por mais errado que seja, por pior que pareça aos olhos curiosos, ainda sim me parece certo.
Perdi as palavras, perdi o sussego. Esqueci-me como sou boa em me expressar. Tudo porque me deixei ser levada e lavada pelas lágrimas. Última vez em que chorei foi ao te deixar ir, na despedida, depois nunca mais me lembro de ter parado sequer pra pensar em algo parecido.
Eis que aqui estou. Entregue ao momento, entregue a essas palavras que tentam cuspir por mim um pouco da dor. Essa dor tão mais dolorosa do que parecia ser. É por saber que ela existe que percebi que não tenho com quem contar. Amigas não saberiam entender, por mais silêncio que façam, eu saberia que a mente de cada uma delas iria borbulhar mensagens contra mim, a falta de experiência próxima ao que passei não permiti que elas possam distinguir o que seria passar por algo assim. Minha família... Primas, tias... Tão pouco teriam paciência. Para elas parece mais fácil dizer que o que dói não faz sentido, é errado e dessa forma concretizam que a culpa é minha e só minha por cultivar pensamentos sobre você. E minha mãe? Ela que é minha melhor amiga, meu espelho. Já tirei tanto o sono dela por esses meus momentos e sofrimentos. Algumas vezes eu simplesmente não sabia, ela deixava de dormir pra chorar a minha dor, outras vezes, eu mesma a acordei pra ficar me ouvindo, tentando ao menos me acalmar, me fazendo acreditar que tudo é menos ruim do que parece. Mas hoje não dá pra contar com ela também. Noites mal dormidas, choros de preocupação, também deixam qualquer um estressado. E o pior... Ela pensa que por me ver sorrir, eu não tenho mais tristezas. Se ela soubesse da real verdade que eu já sei que ela desconfia que existe dentro do meu coração, ela iria me pré-julgar. Consigo imaginar o tom da voz, e a forma como ela perguntaria o porquê de tudo ter mudado, o porquê eu voltei a pensar em quem não deveria. Sei até que ela seria capaz de me chingar, bancaria a insensível, fingiria mau humor e me diria pra simplesmente esquecer. Ou seja, voltei à estaca zero, afinal, o que mais ouço em relação a tudo isto é realmente essa palavra: esquecer.
Esquecer não é solução, nunca foi e que sirva de aviso pra quem ainda tenta. Esquecer simplesmente serve como válvula de escape pra quem consegue manter a mente ocupada. Esquecer é pular de galho em galho. Esquecer é evitar pensar, evitar crescer. Esquecer é o inimigo da maturidade. Esquecer impede soluções. Esquecer não faz ninguém superar.
Aprendi isso e não largo mais. Necessito de outra forma de ajuda. As palavras me aliviam, me sugam um pouco da carga pesada, mas a grande massa, o miolo, vai continuar dentro de mim.
Fico imaginando como seria a volta, como seria talvez te receber de novo.
Confesso que sinto falta do seu abraço, do seu colo que me acolhia. Eu não suportaria ganhar esse carinho de novo sem demonstrar que isso me abalaria.
Mas é o que eu mais gostaria de receber agora.
Parece loucura, e é mesmo. Mas eu gosto assim, prefiro tentar, prefiro arriscar invés de largar pra lá e fingir que consigo seguir em frente quando na verdade mesmo sem perceber tem sempre algo me puxando, me prendendo no passado, me fazendo esperar, me fazendo viver sem estar 100% preparada pra atingir meu futuro sem você.
Não te aceitaria se ainda soubesse que tudo o que larguei ainda habita você.
Mas também não consigo lidar com o fato de te perder para uma mentira em que você insiste em levar adiante apenas pra conseguir provar a mim ou quem quer queira ver que você é capaz de seguir em frente.
Só se lembre, por favor, de acabar com a farsa em algum momento, mesmo que demore, mas termine com ela antes tarde do que nunca, pro seu bem.
Foi você quem me ensinou que amor é um só para toda a vida. Acredito em vários amores, mas se o seu é o meu maior e sempre será, então não deixe que ele se vá, não o esconda por baixo de mentiras e orgulhos.
Da mesma maneira em que sei perdoar até mesmo o que não deveria, eu sei que você sabe se libertar.
Demore, mas venha. Mesmo que não signifique nada, mas ainda assim, volte.
Eu preciso do seu abraço. Ele é o único em que sempre me tirou do mundo e me salvou de tudo que parecia impossível. Seus braços, seu calor, seu colo, toda aquela forma de me carregar, de me preencher, de me fazer sentir protegida, só você sabe fazer isso. O seu abraço é o único que sempre precisei e nunca posso ter quando mais necessito.
Me ajuda... E assim poderei te ajudar. Nem que seja apenas para percebermos que o que era de verdade se apagou com o tempo, mas ainda assim precisamos descobrir juntos, e não fugindo um do outro como se à distância e a amargura de nossos corações separados pudessem solucionar o fim que foi mal resolvido pelos seus próprios erros. Erros estes que você comete justamente porque sempre escolhe esquecer invés de aprender e superar.
Tá na hora de crescer! Tá na hora de voltar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tenha a si mesmo


Aprendi a me cuidar sozinha. Aprendi a caminhar sozinha. Aprendi sonhar sozinha. Aprendi crescer sozinha. Aprendi admirar a vida sozinha.
Não me refiro a falta de companhia, falta de amigos, família, nada disso. Estou falando do coração, do amor.
Ainda acredito sim que quando estamos amando tudo parece mais belo, mais fácil, suportável e pleno. Mas a fase em que permito estar também está me presenteando com muita maturidade, felicidade, liberdade e formas sentimentais que também valem a pena experimentar.
Cheguei a um determinado momento da minha vida em que eu posso olhar para trás e perceber do que eu abri mão, e principalmente perceber o que eu ganhei desde então por ter renunciado.
Se me perguntarem sobre arrependimento eu irei responder que não tenho ou que não me permiti mesmo parar pra pensar em ter. Sou completamente crente na ideia de que todo o meu passado me criou como sou até hoje, e sou grata a isso, sou satisfeita, plenamente contente com quem sou.
Acrescento mais. Desde muito tempo em que acredito que nada é por acaso, e agora além de ter certeza disso, eu pude perceber que coincidências também não são meras, particularmente tive motivos que me fizessem acreditar que elas são sinais, intuições e ações de Deus, porque também acredito na minha enorme fé e sei que nosso Papai do céu nos olha, protege e principalmente move pauzinhos para deixar ou não que tudo aconteça.
Por tudo isso eu me permito caminhar devagar, mas ter urgência nos detalhes de cada momento vivido. Permito-me curtir todas as ocasiões em que estão vindo de encontro a meu caminho. Estou sozinha sim, o coração ta livre, mas quieto, tirou folga talvez de um grande amor, mas jamais estará vazio, o preencho cada dia mais com diversas pessoas que se tornam especiais pra mim. Como eu disse no ínicio, não estou sem companhias, só estou na liberdade, explicando melhor, de férias do amor. Há quem diga que isso é ruim, ou talvez mentira, mas eu discordo. Todo momento se faz importante, valioso e bom a partir de como o vivemos. É disso que estou falando, viver, sem olhar pra trás, sem esperar o futuro.
A falta do gostar de alguém às vezes bate na porta, inevitável, acontece até para os mais insensíveis. Mas não ta sendo a urgência agora, não ta sendo prioridade. Comecei a descobrir lados desse mundo antes desconhecidos pra mim, gostei de voar mais alto, gostei de me jogar, gostei de não precisar me preocupar com mais ninguém além de mim, gostei de tomar as redéas das situações em que posso criar, gostei de tomar escolhas sem precisar de opiniões alheias, gostei até de errar e arrumar confusões só porque eu sabia que eram momentâneas e que sou a dona da minha história. Assim como escrevo textos e os julgo importantes ou não, inventados ou verídicos, descobri que posso fazer isso com minha vida. Não que eu esteja vivendo mentiras, cultivando falsidades, jamais, longe de mim algum dia me deixar cultivar no caminho de valores tão ruins e que eu julgo desde que me entendo por gente, serem as piores partes do mundo.
Estou gostando de viver intensamente um lado em que eu achava que não tinha nada de intenso. É renunciando que se enxerga o outro lado, que se dá valor ao que antes não tinha mérito aos nossos olhos.
Enquanto houver sentido aqui onde estou, continuarei ficando. Só saio daqui agora quando o amor voltar a fazer loucuras por mim, quando ele se tornar meu aliado e não mais meu inimigo.
Resolvi não aceitar mais nada e nem ninguém que não saibam ser completos, que não saibam largar o medo e arriscar sentimentos. Impus a meu coração que só se abra por inteiro pra alguém que saiba faze-lo bater cada dia mais, que saiba faze-lo doer de emoção, que saiba faze-lo diminuir de saudade, que saiba faze-lo acelerar de vontade. Nunca gostei de metades, sempre quis integridades. Hoje mais do que nunca optei pela emoção invés da razão, rejeito o que é morno, acolho o que é completo, dispenso friezas, aceito calores, jogo fora o vazio e admito tudo que é 100%, ou é tudo ou nem se aproxime.
Parece muitas vezes que bloquiei a abertura da minha vida e do meu coração, mas quem sabe se aproximar e se faz merecer atenção logo percebe que não me fechei, simplesmente estou selecionando, buscando qualidade, certezas, intensidades.
Nunca estive tão certa e tão plena da minha alegria de viver sem dependências, sem qualquer expectativa depositada em pessoas que jamais alcançariam o perfeito do que eu gostaria, ninguém é capaz de nos completar por inteiro, justamente porque já somos completos, somos capacitados para exalar felicidade, paz e tudo de melhor que quisermos. As pessoas e tudo que elas nos proporcionam são acréscimos para nossas vidas, tudo que se achega é lucro, é mais motivo para somar felicidades. Bastar-se é necessário para a satisfação, para aprender a não depender de nada nem ninguém, é assim que se aprende a enxergar tudo e todos como vitórias conquistadas e não necessidades.
Exatamente por ter conseguido subir esse degrau de consciência é que sei que sou e posso ser tudo o que quiser ser, pois eu sou a única responsável por mim mesma, por tudo que quero ou não viver, e o resto? Que resto? Ninguém precisa de restos quando já se tem a si mesmo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Acreditando na intuição



É olhando pra trás, relendo textos antigos, que percebo muitos momentos parecidos com coisas que vivo hoje, mas, de certa forma é inevitável tambem não notar a maturidade e a carga de experiência que se acrescenta na minha vida e nas minhas palavras.
Há dois anos atrás, por exemplo, eu escrevia sobre um fantasma do passado que me atormentava em sonhos, pensamentos e ameaçava voltar pro meu convivio. Eu dizia sentir que algo estava prestes a mudar, que alguém estava se aproximando e isso iria mudar minha vida. Textos pelos quais eu escrevia sem nem ao menos ter ideia do que poderia vir pela frente, eram só suposições, sensações, intuições. No entanto, hoje sei que eu estava certa. Me aconteceram muitas coisas das quais eu imaginava e outras tantas que eu nem mesmo poderia supor. A vida, o destino, o acaso, Deus... Tudo trabalha pra me surpreender, e hoje tenho certeza de que nada é por acaso. Minha intuição não falha, e sempre que eu senti que algo mudaria, realmente mudou. Sempre que pensei que alguém me surpreenderia, assim foi. É pensando em tudo isso que dá até um frio na barriga. Fico a imaginar, viajo em pensamentos, analisando se tudo do que eu pressinto hoje poderá acontecer amanhã. Se há dois anos atrás eu sentia algo que realmente um tempo depois se concretizou, então por que agora seria diferente?
Meu coração parece que meio um sinalzinho de alerta, nele eu sei que posso confiar, quando a aflição bate ou a emoção toma conta, logo tenho certeza de que posso acreditar na minha intuição ou pensamento do momento. Assim me permito viver, assim me permito acreditar em boas novas para o futuro. Por mais que eu enfrente turbilhões, decepções, lágrimas, problemas, doenças, falsidade e afins, ainda assim eu tenho como acreditar que mais pra frente muita energia boa, muitos acontecimentos satisfatórios, muitos sentimentos sinceros, muitos sorrisos alegres se achegarão a mim. Não temo o lado ruim de tudo que eu tenho que atravessar, pois sei que depois da tempestade o dia nasce mais belo. E sei também que meu coração mole me deixa às vezes em posição de vítima esmagada, mas que com certeza num futuro serei recompensada e jamais castigada por ter vivido na verdade, no amor, no perdão, acreditando e buscando todos os dias pelo lado bom de cada pessoa que entra no meu caminho. Quem planta o bem vai colher o bem. Tenho minha consciência no lugar, vivo o que tiver que viver, aprendo tudo e mais um pouco de qualquer experiência que passo e aguardo pelas positividades que sei que algum dia conseguirei alcançar. Minha intuição me deixa sobre aviso, logo, já imagino que muito do que ando vivendo é provisório e talvez o pouco que eu não dê valor irá ainda me provar que devo acreditar mais do que já acredito nas pequenas coisas. Detalhes que deixamos passar nos pregam pegadinhas depois. E quando menos esperamos, de quem menos esperamos, surge uma história valiosa.

terça-feira, 30 de março de 2010

Esse rolo, rola ou não rola?


Olho para sua foto e sinto um frio na barriga. Ouço alguma música que me lembra você e já fico com as mãos trêmulas como se fosse um daqueles momentos em que te tenho na minha frente. Relembro coisas que passamos juntos, carinhos, palavras, cada mínimo detalhe que consigo encontrar na mente já é o suficiente pra continuar alimentando o sentimento que parece nascer de todas essas sensações que você faz brotar em mim. Parece cedo, ou talvez até idiota, mas, venho guardando comigo um pouco de você. Tenho deixado às emoções tomarem conta do meu coração que fica acelerado quando penso em te encontrar. E quando caio no pessimismo e fico imaginando que não poderei te ver, o coração dói, comprimi, dá um nó na garganta. Ando sentindo saudade do que ainda não vivemos. Ando tendo medo de perder você, mesmo ainda não te tendo. Meio estranho, mas, sincero. Basta ouvir seu nome, basta falar com alguma amiga sobre você e todo o meu corpo reage e se deixa ser tomado por milhares de sensações e emoções que só me levam mais a ideia de não desistir de você. Todas as minhas estruturas, sejam fisicas ou mentais, ficam mexidas quando o assunto é você. Foi o único a conseguir adentrar na minha vida dessa maneira depois de tanto tempo em que estive sentindo um bloqueio para não permitir a entrada de ninguém. Sei que posso estar mexendo com fogo, sei que estou caminhando em terras desconhecidas, sei que estou começando a gostar de um coração dificil, mas meu corpo e meu coração saltitante por você me fazem querer continuar. Torço pra não estar sozinha, torço pra que você ao menos esteja sendo sincero quando me dá esperanças. A dúvida dói. Refletir sobre o futuro, formar hipóteses de um suposto relacionamento, tentar compreender o que anda existindo entre nós, tudo isso faz com que eu fique confusa, com medo de estar vivendo algo sozinha. Dá pra sentir quando nasce uma sensação boa que é recíproca, mas também sei que isso não é o suficiente para segurar ambos na mesma sintonia e desejos. Penso, penso, penso, morro de saudades e quando percebo já me deixei ser carregada por sonhos que fazem planos para nós dois. A ideia de não dar certo, de te perder em vão, de te ver em um dia qualquer por aí e sentir angústia por não ter lutado mais, me faz querer chorar. Eu sei, eu já disse que sei que é cedo pra tudo isso que to sentindo e dizendo, mas, é incontrolável. Encontrei em você um pouquinho do muito que eu procuro. Mesmo sabendo que não te conheço bem, de certa forma já confio, sinto em você uma presença enorme que me dá a sensação de nos conhecermos a mais tempo do que na verdade é. Estou tentando me controlar na minha louca vontade de te procurar todos os dias e demonstrar imediatamente que te quero fixamente na minha vida, mesmo que no futuro sejamos apenas amigos. Pretendo continuar abusando da cautela e sendo fiel ao otimismo pra não te assustar e nem te entregar o jogo de bandeja. Não sei até quando esse rolo vai rolar pra deixar de ser rolo ou vai nos enrolar definitivamente. Continuarei deitando as madrugadas com vontade de ter te visto e acordando ao raiar do meio dia com ânsia de sorte pra que você apareça mais vezes nos meus dias.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Parte XVI: O mais estranho amor da minha vida

Acordei meio atordoada como se algum sonho tivesse sugado minhas energias e últimas lembranças, eu não me recordava de ter dormido. Olhei ao redor para identificar onde estava e reconheci o quarto de Danton. Remexi junto às almofadas incrivelmente macias que estavam em volta de mim e notei que Danton estava ao meu lado, ainda adormecido, com uma linda expressão no rosto de quem estaria sonhando com algo muito bom. Fiquei alguns minutos só admirando-o, desejando que não acordasse e visse minha cara de apaixonada que no mínimo eu deveria estar. Notei que ele tinha trocado o pijama amarrotado de antes por uma calça jeans e uma camiseta cinza. Seu cabelo estava molhado, dando a impressão de ser mais preto do que normalmete é, e totalmente atrapalhado de um jeito que ainda assim conseguia deixa-lo lindo. Percebi que já deveria ser mais tarde do que eu pensava, pois enquanto eu dormia Danton já tinha tomado banho, se deitado ao meu lado, pegado no sono também e mesmo assim não acordei. Fui saindo da cama levemente tentando não fazer o mínimo de movimento para não acorda-lo:
- Amor, tudo bem? Onde você ta indo?
Soltei o peso do meu corpo sobre a cama me sentindo derrotada pela voz de Danton. Eu não conseguia nunca escapar ou ganhar dele em alguma coisa. Virei-me para encará-lo e não consegui me conter. Minhas pernas bambearam ao analisar o rosto dele. Vi uma expressão preguiçosa, dava vontade de apertá-lo. Seus olhos negros, brilhantes, estavam pequenininhos ainda lutando para sair do sono. E sua boca brincava prazerosa com um mero sorriso delicado. Não pensei duas e nem uma vez. Atirei-me em seus braços. Ele me recebeu alegremente e me aconchegou em seu peito enquanto acariava meus cabelos e me dava um singelo beijinho na testa. Momentos como esses me faziam imaginar se esse cara existia mesmo, e principalmente, se ele estava comigo, interessado em mim, logo em mim, que nunca atrai grandes atenções, muito menos de caras como ele.
O silêncio não era constrangedor, os carinhos, o calor entre nós, já dizia muito. Não tinha como fugir, não tinha mais como negar, eu estava caida de amores por Danton e não queria perdê-lo mais, nem por um mês, nem por um dia, nem nunca:
- Linda você tá com fome? Você dormiu bastante, e ta aqui em casa há horas, vou la na cozinha preparar algo pra você ou posso pedir uma pizza se quiser, o que acha?
Tirei meu rosto de seu colo, repousei meu queixo em seu peito e olhei pra ele. O sorriso nunca largava do rosto dele, já era peça essencial em sua beleza e eu sabia que não conseguia mais viver sem isso:
- Eu acho que você deve ficar quietinho aqui comigo.
- Mas Paula, meu amor! Você tem que comer algo.
- Não, meu coração é o único que tem fome. Fome de você!
O sorriso de Danton se alargou mais nesse momento, não sei como, mas conseguiu ficar mais lindo do que nunca. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que me fazia mergulhar neles. Quando dei por mim já estava deitada na cama com Danton colado em mim me olhando como se nunca tivesse me visto:
- Pela primeira vez fiquei sem saber o que responder. Não esperava por isso, não acreditei que conseguiria te convencer que pode confiar em mim, no meu amor. Você é minha vida agora Paula, e meu coração é todo seu, para todo o sempre.
Antes que eu pudesse responder, ele me envolveu em um beijo doce e abrasador ao mesmo tempo. Meus pulmões pareciam esquecer de respirar e meus olhos estavam úmidos mesmo fechados. Ele não se atrevou a nada mais comigo, já tinhamos conversado sobre tudo isso horas antes de eu dormir e combinamos de que tudo teria seu tempo para nós dois, mas obviamente ele mais falou e eu escutei, não teria tido coragem para ficar esclarecendo detalhes de um relacionamento que ainda iriamos começar.
Nossos beijos pareciam ser viciantes para ambos. Quanto mais a gente se beijava, mais queriamos eternizar a vida naquele momento. Quando enfim resolvemos desgrudar um pouco, deitamos um do lado do outro:
- Danton, quantas horas?
Ele procurou o celular debaixo do travesseiro e olhou o horário:
- São 10 pras 3 da manhã.
- Quê?????? Como assim???
Pulei da cama e comecei a procurar meu tenis pelo quarto. Não conseguia pensar em mais nada além de que eu precisava estar em casa. Meus pais deviam estar furiosos, preocupados, colocando polícia atrás de mim. Eu iria ganhar um castigo de anos, trancada dentro do quarto. E quanto mais eu pensava, mais eu me movia descordenamente pelo quarto e nada de encontrar meu tenis:
- Linda. Tá tudo bem, vem cá. Fica calma! Eu já tinha ligado para sua casa e avisei sua avó que você está comigo, prometi que cuidaria de você e acima de tudo que te respeitaria. Ela me deu um crédito e disse que iria dizer aos seus pais que você ia dormir na casa de uma colega sua de colégio, tal de Cláudia.
Meu cérebro não queria processar bem o que meus ouvidos acabavam de escutar. Senti que estava boquiaberta, parada ali no meio do quarto enquanto Danton sentado na cama sorria para mim, claro, como sempre, e sendo meu herói daquela noite. Como ele conseguia ser assim tão tranquilo, responsável e com total equilibrio? Senti-me meio envergonhada pela cena de loucura que dei atrás dos meus tenis, por acaso sumidos. Sentei na beirada da cama de frente pra Danton:
- Obrigada!
Era a única coisa que eu conseguia dizer de volta. Ele ainda sorrindo veio na minha direção e me abraçou. O mundo parecia ficar tão mais lindo, em paz e fácil quando eu estava em seus braços. Daria tudo pra estar ali todos os dias, acreditando que a vida podia ser bem mais simples:
- Quero conhecer sua avó depois ta? Ela foi muito simpática e gentil comigo. E tenho que agradecer pelo voto de confiança ne? Mas, sinceramente, eu quero conhecer seus pais também, seu cachorro, sua vida.
Enquanto ele dizia ia mexendo em meus cabelos e eu sentia meu coração palpitar a cada palavra que ele soltava:
- Também quero conhecer sua família.
Notei que ele ficou imóvel e mudo depois do que eu disse. Dei uma cutucada na barriga dele pra ver se ele reagia e ele sorriu meio sem graça:
- Desculpa linda, é que minha família anda tão maluca, uma fase difícil pra todos nós.
- Você nunca me contou sobre o que aconteceu desde daquela época que você foi a Paris por causa do seu tio.
Fiquei meio envergonhada, sem saber se poderia já ter esse tipo de liberdade com ele, perguntar dos problemas familiares, mas arrisquei, tentei ser mais amorosa e mais interessada na vida dele. Ele me puxou para trás, nos deitamos na cama, me aconcheguei em seus braços e esperei que ele começasse a me contar finalmente o motivo que fez tudo virar um mistério.

terça-feira, 16 de março de 2010

O fim que não teve fim




Assim como um dia chuvoso representa para algumas pessoas uma melancolia, desanimo e tristeza, passar por você de olhos fechados para ignorar todas as sensações que me embalam em aflição do coração aos pés, representa para mim uma mágoa muito incômoda.
História essa nossa, tão complexa, tão gostosa, mas rodeada de espinhos. Cada capítulo que criamos foi obra de exigência e urgencia do grande sentimento que carregavamos a flor da pele. Das tristezas criavamos sorrisos, das alegrias faziamos problemas. Nunca era fácil, simples ou claro. Nada que dizia respeito a nós podia ser chamado de mero. Desde o início escolhemos um caminho mais tortuoso. E nem por isso deixamos de viver e compartilhar paixões, de criar enfeites sobre tudo que declaravamos, de bordar sonhos, de planejar um futuro regado de harmonia. Mesmo o fim ganhou ornamentos. Foi natural, mas nada fácil. O fim nos regou com muita dor, incontroláveis sentimentos que se fundiram.
Agora o que resta?
A faculdade de pensar, as aulas de dúvidas, os aprendizados da vida e o diploma da maturidade. Assim como me ensinou minha terapia, eu espero que você aprenda durante sua caminhada. Esquecer não ajuda, esquecer é só um refúgio, uma forma mais amena de pular etapas da vida, de fingir que não se sofre, de ignorar a experiência vivida pra não ter que admitir que errou, ou aceitar que ainda se tem muito o que aprender. O currículo de trabalho em busca do amor e sucesso emocional só se expande com as experiências, dúvidas, pensamentos e questionamentos que fazemos a cada tentativa. É do ensaio que tiramos o resultado final. Não existe ninguém nessa vida que não tenha quebrado a cara e errado muitas vezes e com muitas pessoas até conseguir se encaixar melhor num trabalho, num relacionamento.
Estou fazendo a minha parte, praticando e juntando todo o conhecimento adquirido que recebo a cada tentativa, frustrante ou não. Não é por sofrer, fracassar ou apostar em um personagem errado que irei desistir. O coração machucado pode até demorar a se reestabilizar, mas quando volta à luta, ele está mais preparado.
O que mais impede de seguir em frente com o corpo, mente e coração, é o passado. O passado que guarda história como a nossa. Tantos acontecimentos, fatos, momentos, dilemas, promessas, sonhos, declarações e segredos... A união de todo o contexto, de todos os sentimentos e tudo que ainda abrange o que construimos me faz acreditar que o fim ainda não teve fim. A morte não implacou nossos olhares, eles ainda existem, assim como as ações ainda dizem muito, é extremamente transparente tudo que vejo, não tem como negar que o corpo fala, os olhos transmitem e seus passos por querer ou não, demonstram que o fim não foi decretado. É confuso, difícil, meio novelistico essa nossa ligação, mas ela existe, tudo a nossa volta comprova isso. Eis a minha implacável falta de jeito pra lidar com isso, nasce daí, bem no meio dessa loucura que é não saber como e por que ainda não existiu o remate.
Aqui estou, em uma noite a mais, em uma madrugada dolorida, escolhendo palavras para destacar melhor o que sinto, e nada parece ser suficiente, coisa nenhuma poderia simplificar o que tanto criamos com desejos interminavéis, palavras apaixonantes, ações entusiasmáticas, olhares ardentes e beijos calóricos. O que começou arriscado com certeza iria terminar custoso. Ou melhor, dizendo, iria continuar custoso não é?!
Não quero ter que destruir sozinha as chances de algo mais belo concertar o passado que já manchou demais o que deveria ter sido eternizado. Não quero mais ser responsável por essa nossa ligação afetiva sem sua companhia.
Deixo aqui minha suspeita sobre um futuro juntos. Histórias como a nossa acabam criando laços que nem mesmo outras personalidades e milhares de sentimentos poderiam destruir. Eu bem sei que o tempo é nosso amigo e cria mudanças em cada um de nós, mas Deus também é o todo poderoso que dá a benção e permite que cada sentimento nasça e permaneça vivo. Dentro de mim eu guardo a certeza ferida de que mesmo tentando, eu não te largo. Recordo-me também do dia em que você confessou pensamentos que eu desconhecia dentro de ti, e é por acreditar nas suas palavras um dia que eu sei que dentro de você ainda habito, você queira ou não. Se enganar não vale a pena, a verdade pode ser camuflada, mas jamais apagada.
Dormirei essa noite, e outras tantas mais com essa sensação que tento soltar nas palavras e por aqui abandonar.
Não te esperarei, eu sei que você sabe.
O amor é a única parte de mim que ainda é fiel a você.
Não sei dizer por quanto tempo mais ele prevalecerá. Aos poucos ele pode ir perdendo as forças, e o que por enquanto se faz fingimento, depois pode se tornar real.
O nó na garganta que sempre me avisa que o choro está próximo me tirou a permissão de terminar a fazer este depoimento desabafante.
Faça o que seu coração quer, pede e implora. Não negue o amor dele.
Você saberá como agir na hora certa se seguir o coração invés da razão cheia de orgulho que faz de você um covarde diante do amor.
Boa sorte! É o máximo que consigo te desejar...