sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Parte IV: O mais estranho amor da minha vida

Continuação... Texto para o blog: Amores-cruzados

Um novo dia começava e eu acordei com um sentimento de saudade apertando meu peito. Durante todas as minhas ações pela manhã eu me senti incomodada com aquilo que insistia em fazer cócegas no meu estômago e subia às vezes para o coração. Tentei me esforçar ao máximo para não lembrar do episódio do dia passado e muito menos de Danton. Era como se eu não quisesse descobrir ou confirmar para mim mesma que tudo aquilo era obra dele. Mesmo sem entender, eu tinha a mania de continuar fugindo do que poderia me fazer bem.
No colégio, nada parecia conseguir prender a minha atenção. Naturalmente já sou pensativa demais, mas tudo por dentro estava me deixando mais avoada do que de costume. Por vezes tentei pescar o que um professor ou outro dizia, mas tudo era sufocado pelo meu sentimento. Tentei ir lutando contra aquilo de diversas formas, mas nada parecia o bastante. A vontade que eu tinha de me encontrar com Danton era realmente extraordinária, porém, ainda assim, eu queria continuar mantendo certas distancias entre nós por mais que meu coração implorasse por uma maior aproximação. Era como se eu quisesse me jogar em seus braços e ser feliz. Mas nada poderia ser fácil assim, ou pelo menos até agora eu não estava facilitando nada.
À medida que o ultimo horário no colégio ia se aproximando, mais agoniada eu ia ficando, pelo meu encontro e por não agüentar mais essa história de ter que fugir da última aula, uma hora isso iria ficar insuportavelmente ridículo ao ponto de todos perceberem - se é que isso já não estava acontecendo – e logo iriam querer informar isso aos meus pais que de certa forma mal se importavam comigo devido a seus trabalhos que sempre roubavam seus preciosos tempos.
Enfim, dei meu jeitinho e fugi mais cedo. Caminhei cautelosamente por entre as ruas que eu tinha que passar até chegar à ponte. O que me incomodava por dentro estava me deixando nervosa e ansiosa, mais do que eu já ficava só de pensar em ver aquele sorriso na minha direção.
Ao chegar ao meio da ponte, encontrei com Danton sentado em um dos bancos, com a cabeça baixa como se observasse os sapatos e as mãos cruzadas firmemente. Eu poderia não ser uma observadora tão bem capaz como ele, mas consegui chegar à conclusão de que ele também parecia não muito bem naquele dia. Poderia julgar que ele estava aflito e preocupado com algo. Assim que ele levantou o olhar pra mim, percebi uma tristeza nunca vista antes habitando aqueles olhos que eu já tanto adorava. Ele se levantou rapidamente, indo na minha direção como se tivesse pressa em terminar logo com nosso encontro. Pegou minhas duas mãos, colocou em seu peito, firmou os olhos nos meus e mal me deu tempo de notar seu coração acelerado:
- Minha linda, eu quero que antes de tudo, você fique sabendo que jamais vou desistir de você ou te abandonar. Aconteça o que acontecer, vou sempre estar por perto, demore o tempo que for, ficaremos juntos.
E antes que eu pudesse me mover ou se quer perguntar o que estava havendo, ele me beijou. Um beijo que eu não poderia definir em palavras, olhares ou sorrisos. Era um primeiro entre nós, mas eu sentia que tinha certo gostinho de despedida. Meu coração pulsava acelerado e cada vez mais agoniado. Não tentei lutar contra ele e nem contra aquele momento, afinal, eu nem teria mesmo mais forças para isso. Assim que ele tirou seus lábios dos meus e me deu um pequeno sorriso, insinuei que iria começar a falar e ele tocou minha boca com o dedo indicador querendo me fazer calar. Olhei pra ele com curiosidade e desaprovação, mas a atitude dele em seguida conseguiu me fazer paralisar.
Ele simplesmente soltou minhas mãos, me olhou por um rápido segundo e me deu as costas, andando rapidamente em direção ao fim da ponte, atravessando em seguida as árvores ao lado e sumindo da minha vista.
Fiquei ali, parada, por alguns minutos ou quem sabe horas, eu não sabia dizer. Eu tinha milhões de perguntas, dúvidas e agora medos. O que ele quis dizer com tudo aquilo? O que estava acontecendo? Nem mesmo no beijo eu conseguia me concentrar. O que deveria ter sido perfeito tinha me deixado cada vez com mais incertezas na cabeça. Naquele momento, Danton tinha voltado a ser um estranho, e dessa vez um estranho realmente estranho.

2 comentários:

Mary West disse...

Tb naum sei oque pode ter acontecido, mais momentos assim para o bem ou para mal sempre serão inesqueciveis.

Tathalinha disse...

Amei a historia! Simplesmente perfeita, final triste mais ao mesmo tempo muito emocionante!

Parebens!!

Bjos