sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Parte VI: O mais estranho amor da minha vida

Continuação... Texto para o blog: Amores-cruzados

Minhas dúvidas e medos me acordaram mais cedo do que normalmente. Eu tinha certeza que não conseguiria dormir então fui logo tomar banho pra terminar de acordar e ver se assim meu astral se renovava. Minha noite anterior tinha me rendido muitas confusões na cabeça e nenhuma solução. Meu banho foi mais demorado do que poderia ser, eu havia realmente esquecido da vida ali embaixo d’água. Corri para o quarto para terminar de me vestir, tomei um café empurrado e sai porta afora deixando minha avó meio impaciente com minha pressa. Mas naquele momento eu quase pude sentir uma pontada de arrependimento me falando que eu não deveria era ter saído de casa. Eis que na minha rua, estava estacionado o carro de Danton e a me ver sair de casa, a porta do lado do passageiro se abriu na intenção de me convidar a entrar. Apreensiva eu me aproximei, pensei duas vezes antes de sentar no banco, mas como eu não arrumei uma desculpa rápida, entrei no carro. Danton me olhava com olhos maravilhados e plenos de felicidade. Já eu... Mal conseguia corresponder aos olhares dele:
- Paula, por favor, antes de qualquer coisa eu quero que você me perdoe por todo o mistério e pelo sumiço. Sei que eu deveria ter lhe dado explicações óbvias, mas acredite, não tive o mínimo de tempo. Aquele último dia em que nos vimos eu estava prestes a resolver um grande problema, mas a única coisa que ficava na minha cabeça era o tempo que talvez eu precisasse ficar longe de você.
- Não temos nada e eu muito menos tenho a ver com sua vida, não se preocupe, está tudo bem, você não precisa me dar satisfações.
- Preciso sim! Não banque a menina forte comigo porque eu ainda sei decifrar seus olhos e vejo neles muita angústia comigo.
- Não, é impressão sua, está tudo bem mesmo, só estou cansada, não dormi muito bem.
Eu tentava mentir, tentava disfarçar minhas verdadeiras chateações e tudo que passei durante o tempo em que ele havia sumido, mas eu estava enganada ao pensar que poderia enrolar ele assim:
- Paula, minha linda, não precisa mentir nem esconder seus verdadeiros sentimentos de mim. Estou aqui entregue a você, querendo te explicar o porquê de tudo aquilo... Confie em mim, é só o que eu te peço.
- Ta certo! Se você faz questão... Mas será que, por favor, agora eu posso ir para minha aula porque já estou mais do que atrasada?
- Não pense você que fugindo de mim vai adiantar. Jamais vou atrapalhar sua vida e compromissos, mas adiar as coisas não é bom, pelo contrário, eu já me senti mal demais com toda essa história em que tive que esconder de você.
- Danton, eu só não entendo porque você insiste em me colocar na sua vida e a par das suas ações se eu nem mesmo tenho algum compromisso com você.
- Não temos porque não tive nem tempo para isso ainda. Te esperei por tanto tempo... Te procurei por mais tempo ainda e não vai ser por um problema na minha vida e um tempo distante de você que eu vou desistir de lutar pelo seu amor.
- Ok! Não vamos mais martelar nisso. Aceito suas desculpas e aceito lhe dar oportunidade pra se explicar, mas de verdade, agora vou pra minha aula.
Eu não sabia de onde tinha conseguido arrancar tanta cautela e sabedoria ao conversar com ele. Acho que todo o tempo longe e tudo que pensei durante aqueles sofridos dias, havia me dado uma incrível harmonia e controle para usar quando estivesse prestes a enfrentá-lo cara a cara novamente. As minhas últimas palavras foram finalizadas com a minha abrupta ação de abrir a porta do carro, sair para o dia claro e fechar a porta novamente sem nem mesmo despedir de Danton. Eu não estava preocupada com o que ele poderia pensar da minha educação. Naquele momento eu fiquei satisfeita comigo mesma e só procurei caminhar o mais rápido que pude para o colégio.

2 comentários:

Hudson R. Faria disse...

tetéee, voce só me surpreende . como sempre linda continuação.

Adrielly Soares disse...

Adorandooo. SErá que tem continuação?
*-*